‘Se crime houve, foi estelionato’, diz advogado de hacker suspeito

‘Se crime houve, foi estelionato’, diz advogado de hacker suspeito

Para defensor público, PF e Procuradoria 'estão meio perdidos, tentando encontrar um tipo penal para justificar o inquérito, a prisão'

Patrick Camporez/BRASÍLIA

11 de novembro de 2019 | 16h31

Em entrevista ao Estado, o defensor federal Igor Roque, advogado do suspeito Danilo Marques, fez um balanço, do ponto de vista da defesa, dos quase quatro meses de investigação da Operação Spoofing – segunda etapa da missão da PF que prendeu supostos hackers do ministro Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública), de procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato e de quase mil autoridades dos três poderes.

Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde estão presos alguns dos investigados da Operação Spoofing. Foto: Google Maps/Reprodução

Com base no que tem acompanhado no inquérito, o advogado alega que ‘nenhum sinal’ de pagamento pelas mensagens vazadas foi encontrado pela PF.

“Absolutamente nada. Pelas peças do inquérito que já foram franqueadas para a defesa no processo, não existe nenhuma evidência de pagamento por essas mensagens. Pelo contrário, tudo que foi encontrado leva para a evidência do não pagamento pelas mensagens. O Walter Delgatti (‘Vermelho’) se deparou com umas mensagens que ele encontrou e, como ele já disse, achou que era de interesse público.”

Uma das principais apostas da Polícia Federal, com o avanço das investigações, era juntar as pontas soltas que levassem os investigadores a encontrar alguma conta bancária usada para um possível pagamento feito pelo pacote de mensagens roubado das autoridades.

O defensor também não acredita que o grupo vai ser indiciado por crimes contra a segurança nacional, como tem sido sinalizado em alguns trechos do inquérito.

“A própria Polícia Federal e o Ministério Público estão meio perdidos, estão tentando encontrar um tipo penal para justificar o inquérito, a prisão, enfim.”

Sobre os crimes de estelionato, o advogado concorda que seu cliente pode vir a ser investigado, mas em outra esfera.

“Juridicamente, penalmente, ele não pode ser responsabilizado (por interceptação). Sobra apenas o estelionato, que é crime de competência da Justiça do Estado de São Paulo, para ser investigado pela Polícia do Estado de São Paulo e ser remetido para o Estado de São Paulo, mas a Justiça Federal não remete. Se crime houve, houve estelionato, e ele precisa ser objeto de investigação no Estado de São Paulo, e não na Justiça Federal. O juiz federal não tem competência para atuar nesse processo.”

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