Saúde masculina e os avanços no tratamento do câncer de próstata

Saúde masculina e os avanços no tratamento do câncer de próstata

Geraldo Faria*

17 de novembro de 2021 | 10h15

Geraldo Faria. FOTO: DIVULGAÇÃO

Todos os anos, campanhas de conscientização são realizadas sobre a importância da prevenção e detecção deste tipo de tumor – que tem uma incidência maior nos homens (excetuando-se o câncer de pele não-melanoma) e a segunda maior causa de morte oncológica no sexo masculino, a fim de minimizar os efeitos e impactos, trazendo mais conhecimento e incentivo para que o homem se cuide e procure o diagnóstico precoce.

Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) estimam, para este ano, mais de 65.000 novos casos. Cerca de 25% dos portadores de câncer de próstata ainda morrem devido à doença o que equivale a 16.000 mortes por ano ou uma morte a cada 35 minutos.

Apesar de tratar-se de uma doença grave, cerca de 90% dos casos podem ser curados, desde que o diagnóstico seja realizado precocemente. Ele pode se manifestar com graus diferentes de malignidade. Pacientes diagnosticados com a doença na fase inicial, com características de pouca agressividade e que reúnam dados favoráveis podem ser orientados a realizar um acompanhamento evolutivo do câncer sem a necessidade de tratamentos mais invasivos.

Esta observação denominada espera vigilante ou vigilância ativa, deve ser rigorosamente monitorada por meio de exames periódicos que indiquem se a doença não está evoluindo de forma desfavorável.

A adoção da vigilância ativa nesta população específica poupa os pacientes dos riscos de sequelas que podem ocorrer com a cirurgia e a radioterapia. Quando o grau de agressividade é maior ou a doença está mais avançada estão indicados tratamentos mais radicais como a remoção cirúrgica da glândula, a quimioterapia, a hormonioterapia e a radioterapia.

Novas formas de tratamento têm surgido nos últimos anos

As terapias focais e a imunoterapia, ampliando a possibilidade de tratar os pacientes de uma forma mais individualizada. A cirurgia e a radioterapia continuam a ser tratamentos eficazes para homens com câncer mais significativo e sem sinais de disseminação da doença. A remoção cirúrgica da glândula sofreu um grande avanço com a introdução das técnicas menos invasivas como a laparoscopia e a prostatectomia radical robótica.

Esses procedimentos resultam em uma hospitalização mais curta e recuperação clínica mais rápida dos pacientes. Complicações pós-operatórias e sequelas como incontinência urinária e disfunção erétil tem sido menores quando os pacientes são operados com essas técnicas.

A radioterapia também passou por avanços tecnológicos com a introdução de softwares computadorizados que permitem que os feixes de radiação sejam direcionados com maior precisão, reduzindo a agressão para os órgãos adjacentes como a bexiga e o intestino.

Desta forma doses mais elevadas de radiação podem ser administradas à próstata resultando em um melhor controle do câncer. Com a intenção de reduzir as complicações relacionadas aos procedimentos mais agressivos, o tratamento focal dos tumores com crioterapia, ultrassom de alta intensidade (HiFu), ablação a laser, braquiterapia e outras formas de energia tem sido cada vez mais utilizadas no controle da doença.

Também nos últimos anos grandes avanços foram incorporados ao tratamento dos pacientes em que o câncer já extrapolou os limites da glândula acometendo os ossos e outros órgãos. A quimioterapia com a medicação docetaxel e as novas drogas orais como a abiraterona e a enzalutamida mostraram-se eficazes em retardar a progressão da doença e melhoraram a expectativa e a qualidade de vida dos pacientes.

A terapia multimodal, a imunoterapia e a medicina de precisão podem surgir como avanços futuros na abordagem da doença permitindo que os médicos possam direcionar o tratamento de forma individualizada, respeitando a preferência do paciente.

*Geraldo Faria, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia de São Paulo. Membro Titular da Sociedade Brasileira de Urologia, membro Internacional da AUA – American Urological Association e da EAU – European Association of Urology

Tudo o que sabemos sobre:

Artigocâncer

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.