Saúde e Segurança como parte da estratégia

Saúde e Segurança como parte da estratégia

Simone Seghese*

27 de dezembro de 2020 | 04h00

Simone Seghese. FOTO: DIVULGAÇÃO

A Saúde e Segurança do Trabalho, também conhecida como SST, é um tema em alta nos dias de hoje. Isso porque os números são alarmantes sobre acidentes e doenças diretamente relacionadas ao ambiente de trabalho e têm contribuído para conscientizar as empresas sobre a importância de investir na Segurança do Trabalho. Relatório divulgado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta que estas causas são responsáveis pela morte de cinco mil trabalhadores por dia no mundo.

Embora o assunto seja bastante comentado, há ainda quem não conheça a fundo as normas relacionadas à SST, seus benefícios ou, tampouco, como programar medidas nesse sentido.

Em 1987, o novo diretor executivo da Alcoa, uma corporação que durante um século, vinha fabricando de tudo, desde a embalagem dos Hershey´s Kisses e o metal das latas de Coca-Cola até os rebites que sustentavam os satélites, iniciou sua palestra dizendo que gostaria de falar com todos os investidores da bolsa de valores de Wall Street sobre segurança do trabalho.

A plateia ficou confusa, afinal essas reuniões geralmente tratavam sobre como os investimentos seriam alavancados e quais seriam as vantagens competitivas da empresa no mercado.

Enquanto alguns investidores perguntavam sobre inventários na divisão aeroespacial, coeficientes de capital da empresa e outras perguntas infalíveis sobre o capitalismo, o diretor repetiu: “Não tenho certeza de que vocês me ouviram. Se vocês querem entender a situação da Alcoa, precisam olhar os números de segurança dos nossos locais de trabalho. Se diminuirmos nossos índices de acidentes, não será devido a um esforço motivacional ou às baboseiras que às vezes vocês ouvem de outros diretores executivos. Será porque os indivíduos desta empresa concordaram em se tornar parte de algo importante: dedicaram-se a criar um hábito de excelência. A segurança será um indicador de que estamos fazendo um avanço em mudar nossos hábitos em todos os âmbitos da instituição. E assim que deveríamos ser avaliados.”

Em menos de um ano após esse discurso, os lucros da Alcoa atingiram uma alta recorde e todo esse crescimento aconteceu enquanto a Alcoa se tornava uma das empresas mais seguras do mundo. Após seu plano de segurança implementado, algumas unidades da empresa passaram anos sem que um único empregado perdesse um dia de trabalho devido a um acidente.

Quando assumiu a direção, a empresa passava por dificuldades. Os críticos diziam que os funcionários da empresa não eram ágeis o bastante e que a qualidade dos produtos era precária. Ao invés de escrever no topo de sua lista de alcances “qualidade” ou “eficiência” ele escreveu “segurança” e traçou uma meta audaciosa: índice zero de acidentes. E não era zero acidentes em fábrica. Era zero acidentes e ponto final. Esse seria seu compromisso, custasse o que custasse.

A empresa mudou tanto que alguns funcionários acabaram vendo os hábitos de segurança afetarem outras partes de suas vidas. O diretor executivo de Segurança do Trabalho relatou o seguinte acontecimento: “Dois ou três dias atrás, eu estava na minha sala, olhando pela janela para a ponte da Ninth Street, e tinham uns caras trabalhando sem usar os procedimentos de segurança corretos. Sem pensar, desci cinco lances de escada, atravessei a ponte e falei para aqueles caras, ei, vocês estão arriscando a sua vida, vocês têm que usar seus cinturões e seus equipamentos de segurança.”

Assim, como no texto adaptado do livro “O Poder do Hábito” de Charles Duhigg, as empresas brasileiras estão cada vez mais sendo informadas de que é de extrema importância que os empresários invistam em práticas voltadas à saúde e segurança do trabalhador e realizem uma gestão eficiente. Dentre os inúmeros benefícios das empresas que investem na SST, podemos destacar a maior produtividade no dia a dia dos funcionários, redução de riscos para os trabalhadores e redução de custos para o empregador.

Também é válido ressaltar que uma empresa que se preocupa com o bem-estar dos seus funcionários consegue transmitir uma imagem sólida de responsabilidade social e isso é um benefício tanto para o time de colaboradores, como para a empresa.

Lembre-se: uma boa conduta faz com que os clientes encarem a organização com bons olhos e, além disso, os profissionais talentosos do mercado se sentem atraídos a trabalhar nessas organizações. Em linhas gerais, todos saem ganhando. Tem algo mais estratégico do que isso?

*Simone Seghese, advogada e sócia da Humano Mais

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