Saúde com segurança: foco permanente

Saúde com segurança: foco permanente

Ivã Molina* 

21 de junho de 2020 | 16h00

Ivã Molina. FOTO: DIVULGAÇÃO

O novo coronavírus colocou o setor da saúde em estado de alerta. A velocidade com que o vírus tem se espalhado traz amplas preocupações e a situação desencadeou ainda outro problema: pacientes com doenças crônicas estão deixando de lado seus tratamentos. O medo de ir aos hospitais ou clínicas fez com que muitas pessoas interrompessem o acompanhamento de seus problemas de saúde.

O fenômeno da diminuição desses pacientes nos hospitais não é notado apenas no Brasil. Uma pesquisa realizada pelo site Angioplasty.Org, mostrou que o número de pessoas que morreram em casa de ataque cardíaco em Nova York, nos Estados Unidos, entre 30 de março e 5 de abril, foi 800% vezes maior do que o mesmo período em 2019. O levantamento revelou ainda que no período houve uma queda de 50% ou mais no número de pessoas tratadas nas emergências de hospitais para o mesmo tipo de problema. Se essas paradas cardíacas tiveram algo a ver com o coronavírus, não se sabe. Mas o próprio Angioplasty.Org afirma que muitos dos casos poderiam ter sido tratados prontamente, salvando essas vidas.

Essa situação pode fazer com que a atual crise na área perdure e venha a ser ainda mais danosa quando a pandemia minimizar: serão pacientes de covid-19; outros pacientes urgentes que não são de covid e que vão concorrer por recursos e leitos; pacientes de doenças crônicas que não foram tratadas nesse período e aqueles que adquiriram problemas de saúde mental causados pelo período de isolamento, desemprego e burnout.

É importante lembrar que as unidades hospitalares não deixaram por um minuto sequer a segurança de lado, possibilitando que, mesmo em meio aos desafios da covid-19, continuem cuidando, de maneira segura, de pacientes com outras enfermidades e que também precisam de atenção. É imprescindível que os pacientes crônicos continuem seus tratamentos, pois do contrário, pode resultar em complicações graves e, ainda, encontrar adiante um sistema de saúde mais sobrecarregado do que já está, justamente por essa interrupção voluntária ao próprio tratamento, que outras tantas pessoas também fizeram.

Muito pode ter sido readaptado nos atendimentos hospitalares, claro, como exige o momento, mas sem abdicar de maneira alguma da segurança coletiva.

Comitês de crise foram criados nos hospitais, como na Santa Casa de São José dos Campos, hospital referência no Vale do Paraíba e do qual atuo como provedor. Constantes reuniões avaliam a situação para a tomada de protocolos de atendimento.

Estão também organizados os fluxos individualizados em todo o ambiente hospitalar para pacientes com queixas respiratórias, desde a triagem até o fim do atendimento, para que todos os pacientes, independente do problema que estejam, possam ser atendidos seguramente.

Em nossa Santa Casa, por exemplo, as cirurgias estão sendo realizadas normalmente, com a adoção de medidas que garantem a segurança de todos. Os fluxos dentro do hospital estão separados e, para diminuir a circulação, os pacientes são admitidos já nos quartos.

Todo o quadro de funcionários do hospital atua com todo o aparato de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual), garantindo segurança a eles mesmos e a todos à volta. E por parte dos pacientes, a máscara é mais uma importante aliada no reforço dessa proteção.

A crise instaurada pela pandemia gerou oportunidades de melhoria de processos e aprendizados. A conexão dos hospitais com a comunidade que tem comparecido com doações e ações, em reconhecimento ao importante papel dessas instituições no enfrentamento à pandemia, motivam o trabalho e dedicação das equipes e confirma a credibilidade conquistada.

Com foco na tranquilidade e melhor experiência adquirida a cada dia e no caminhar junto à pandemia, restabelecendo os procedimentos baseados em um sólido trabalho e planejamento, continuamos conscientes de nossas responsabilidades e da missão de salvar vidas.

*Ivã Molina, provedor da Santa Casa de São José dos Campos

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