Saques do FGTS: o melhor caminho é o planejamento

Saques do FGTS: o melhor caminho é o planejamento

Reinaldo Domingos*

03 de agosto de 2019 | 07h00

Reinaldo Domingos. FOTO: DIVULGAÇÃO

O debate em torno da liberação do saque das contas ativas e inativas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) ainda tem gerado muitas dúvidas em relação ao melhor uso desse dinheiro. Os saques começam a partir de setembro deste ano e vão até março de 2020, portanto ainda há tempo de analisar as possibilidades.

Primeiro é preciso diferenciar saque emergencial de saque-aniversário. Em um primeiro momento, o saque que será possibilitado é o emergencial, no qual toda pessoa que possua FGTS poderá sacar até R$ 500, dependendo que quanto possuir de saldo. A partir de abril do próximo ano, a pessoa poderá optar pelo saque-aniversário, nesse a pessoa poderá optar por receber anualmente no mês do aniversário e nos dois meses subsequentes valores proporcionais aos quanto possui no fundo. Caso opte por essa modalidade, o contribuinte poderá utilizar ainda o FGTS em ocasiões específicas, como para aquisição de imóvel, em caso de doença ou aposentadoria. Contudo, em caso de demissão sem justa causa, terá direito apenas a multa de 40% sobre o FGTS, só podendo retomar ao modelo atual após dois anos.

É necessário frisar que o FGTS se trata de uma reserva e mesmo com a determinação de um limite de saque de R$ 500 por conta, não deixa de ser importante, afinal sempre digo que dinheiro não aceita desaforo. Além disso, um trabalhador que tenha duas contas inativas e uma ativa, por exemplo, poderia sacar R$ 1.500, uma quantia considerável para muitas pessoas.

A primeira e principal orientação é tirar esse dinheiro imediatamente da conta corrente, isso porque sabemos que ficamos muito mais suscetíveis a gastar quando temos dinheiro à nossa disposição. Porém, no caso de quem está utilizando o cheque especial, o melhor a se fazer é sanar esse débito, já que os juros são um dos maiores do mercado.

Portanto, antes de tomar a decisão de sacar o FGTS ou não, é preciso conhecer qual é a sua situação financeira atual: em situação de inadimplência, equilibrado ou investidor.

Caso se encaixe no primeiro grupo, que já conta com mais de 60 milhões de brasileiros, não se desespere. Muitos me questionam quando digo que “nome sujo pode ser a solução”, mas é verdade. Nesse caso é preciso analisar dois cenários: caso o valor resgatado seja suficiente para quitar a dívida atrasada em sua totalidade, não tenha dúvidas em utilizar esse dinheiro. Segundo dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), o teto do saque é equivalente ao valor de dívidas de 37,34% dos inadimplentes.

Por outro lado, caso a quantia não seja suficiente, o mais indicado é direcionar esse valor para outros investimentos e tentar uma renegociação futura, já que os juros do FGTS atualmente ainda são os mais baixos, rendendo apenas 3% ao ano.

Ainda para quem está nessa situação preocupante, o principal a ser feito é se educar financeiramente, ou seja, mudar seus hábitos e comportamentos em relação ao dinheiro definitivamente e fazer com que a inadimplência fique no passado. Para isso, analise com franqueza a própria situação e levante todos os números para saber qual caminho seguir.

É preciso coragem e determinação para encarar o problema de frente e a partir disso traçar um planejamento financeiro com esse levantamento em mãos e renegociar a dívida com parcelas que caibam no seu orçamento mensal atual.

Já para aqueles que estão em uma situação financeira equilibrada ou investidora é preciso estabelecer objetivos para o uso dessa renda, pois a ausência de metas pode originar compras supérfluas, que agregam pouco ou quase nada em nossas vidas. O melhor caminho é estabelecer sonhos de curto (a ser realizado em até um ano), médio (entre um e dez anos) e longo prazo (a partir de dez anos).

Por fim, independentemente de onde se encontre, tenha em mente que a educação financeira traz essa resposta, com planejamento para criarmos maior consciência quando se trata das nossas finanças, contribuindo assim para uma geração mais sustentável financeiramente e que não seja refém de verbas extraordinárias.

*Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin) e especialista em educação financeira

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