Operação lista 18 empresas de fachada usadas pela Delta para lavagem de R$ 370 mi

Operação lista 18 empresas de fachada usadas pela Delta para lavagem de R$ 370 mi

Força-tarefa do Ministério Público Federal revela que organização usava endereços frios, inclusive consultório de dentista, loja de gesso e até matagal na beira da estrada

Mateus Coutinho e Julia Affonso

30 de junho de 2016 | 14h34

Na denúncia da Operação Saqueador – deflagrada nesta quinta-feira, 30 – contra o empresário Fernando Cavendish, o bicheiro Carlinhos Cachoeira, o operador de propinas Adir Assad e outros 20 acusados de montar uma quadrilha que lavava dinheiro desviado de obras públicas a Procuradoria da República no Rio lista os endereços de 18 empresas de fachada que teriam sido utilizadas para lavar R$ 370 milhões da Delta Construções entre 2007 e 2012.

Neste período, segundo os investigadores, a Delta teve 96,3% do seu faturamento oriundo de verbas públicas, chegando ao montante de quase R$ 11 bilhões. Deste total, R$ 370 milhões teriam sido lavados por meio de 18 “empresas” localizadas em endereços onde funcionam desde um consultório de dentista, passando por loja de gesso e até um matagal na beira de uma estrada. Alguns endereços, inclusive, sequer existem.

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Essas companhias existentes somente no papel pertencem aos dois principais grupos de operadores do esquema Delta, segundo o MPF, o liderado por Assad e o liderado por Cachoeira. No caso do primeiro grupo, Adir Assad já foi condenado pelo juiz Sérgio Moro a nove anos e 10 meses de prisão por utilizar suas empresas de fachada para lavar o dinheiro da propina no esquema de corrupção na Petrobrás. Para o MPF ele teria adotado o mesmo modus operandi, inclusive usando as mesmas empresas fictícias, para lavar dinheiro da Delta que teria sido direcionado para o bolso de agentes públicos e até políticos.

OS REPASSES DA DELTA PARA AS EMPRESAS DE ASSAD

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OS ENDEREÇOS DAS EMPRESAS DE ASSAD:

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Também já conhecido das páginas policiais, o contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira, liderava o outro grupo de empresas de fachada que teria lavado o dinheiro da Delta. Ele chegou a ser preso de 2012 na Operação Monte Carlo acusado de liderar um esquema de jogo do bicho em Goiás e também mantinha laços com políticos como Demóstenes Torres (ex-DEM), cassado após vir a tona sua proximidade com o contraventor. Cachoeira já foi condenado a 39 anos de prisão, mas ainda recorria em liberdade até ser detido novamente hoje por ordem da Justiça Federal no Rio.

OS REPASSES DA DELTA PARA AS EMPRESAS DE CACHOEIRA: 

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OS ENDEREÇOS DAS EMPRESAS DE FACHADA DE CAHCOEIRA:

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