São presos sem rosto, sem nome

São presos sem rosto, sem nome

Antônio Carlos de Almeida Castro Kakay*

03 de janeiro de 2017 | 16h57

Antônio Carlos de Almeida Castro Kakay. Foto: Beto Barata/AE

Antônio Carlos de Almeida Castro Kakay. Foto: Beto Barata/AE

Vão querer colocar a responsabilidade na guerra entre facções, o Estado, tanto o do Amazonas quanto o Federal, vão se declarar vítimas de grupos criminosos organizados. Ninguém assumirá a responsabilidade pela bestialidade que impera no sistema prisional. Nosso Judiciário, nosso Supremo já afastou a presunção de inocência e determina a prisão antes do trânsito em julgado. Que se danem os pretos, pobres, desassistidos, que entulham as cadeias brasileiras. É necessário, numa visão tacanha e desumana, de parte do Judiciário, ‘dar uma satisfação à sociedade’ e, para responder parte da mídia que quer a prisão de 20 empresários da Lava Jato, mandam para a prisão milhares de pessoas sem culpa formada.

Quantos presos provisórios estão dentre estes mortos? Mas nenhum será destaque e manchete individual nos telejornais, pois são presos sem rosto, sem nome… mas suas famílias existem e merecem nosso respeito.

Que a sociedade volte os olhos para o massacre diário no sistema prisional brasileiro e que o Judiciário deixe de ser cúmplice deste massacre. A prisão antecipada é em boa parte responsável por esta barbárie. A vulgarização da prisão preventiva só alimenta este estado de coisa inconstitucional. “Arre, estou farto de semideuses, onde há gente no mundo.”

*Antônio Carlos de Almeida Castro Kakay é advogado

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