Santa Cruz saúda indicação de Bolsonaro para o Supremo e diz que Kassio tem ‘trajetória honrada e de reconhecida eficiência’

Santa Cruz saúda indicação de Bolsonaro para o Supremo e diz que Kassio tem ‘trajetória honrada e de reconhecida eficiência’

Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil afirmou que 'o Estado de Direito e as garantias constitucionais do cidadão são prestigiados' com a ida do desembargador para a Corte

Paulo Roberto Netto

01 de outubro de 2020 | 21h31

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil Felipe Santa Cruz comemorou a indicação do desembargador Kassio Nunes, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), para o Supremo Tribunal Federal. O presidente Jair Bolsonaro garantiu que o nome do magistrado para a Corte será publicado na edição desta sexta, 2, do Diário Oficial da União.

Uma vez oficializada a indicação de Marques, ele ainda deverá passar por sabatina no Senado. Para ser aprovado e assumir a vaga no STF, o desembargador precisará ser aprovado pela maioria dos 81 senadores, em votação secreta.

“A Ordem dos Advogados do Brasil saúda a indicação do Desembargador Federal Kassio Nunes Marques para ocupar a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal. O desembargador possui todos os pressupostos constitucionais e uma trajetória honrada e de reconhecida eficiência, que o credenciam para o exercício da judicatura no Tribunal Constitucional da nação”, afirmou Santa Cruz. “O Estado de Direito e as garantias constitucionais do cidadão são prestigiados com sua indicação”.

A indicação de Kassio agradou políticos do Centrão, que buscam enfraquecer a Lava Jato, e a ala do Supremo que faz restrições a investigações conduzidas pela força-tarefa, como os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli. Bolsonaro sinalizou que escolheu o magistrado por ser um nome que irá ‘ser leal às nossas causas’ dentro da Corte.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Felipe Santa Cruz. Foto: Tiago Queiroz / Estadão

Kassio, porém, foi criticado por conservadores e grupos aliados do Planalto por decisões tomadas no passado e por não ser o perfil ‘terrivelmente evangélico’ prometido.

Ao Estadão, o presidente da Associação Nacional de Juristas Evangélicos (Anajure) Uziel Santana criticou a indicação.

“Em que pese as qualidades do Desembargador Kássio, acreditamos que ele não é o melhor nome que se adeque ao perfil conservador de magistrado que o próprio Presidente Bolsonaro anunciou”, afirmou. A entidade defende o nome do ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, que é pastor da Igreja Presbiteriana Esperança, em Brasília.

Na live, Bolsonaro garantiu que a segunda vaga que deverá abrir no seu mandato, em julho do ano que vem com a aposentadoria do ministro Marco Aurélio Mello, será destinada a um nome evangélico e que vote ‘com os interesses dos conservadores’.

“O primeiro requisito é ser evangélico, o segundo é tomar tubaína comigo”, afirmou. “Eu quero que a pessoa vote com suas convicções, com os interesses dos conservadores, mas que busque maneira de ganhar uma coisa lá também. Eu não quero que ele entre mude e saia calado, quero que ele converse”.

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