Sandbox e criptomoedas

Sandbox e criptomoedas

Reinaldo Rabelo*

27 de maio de 2020 | 04h30

Reinaldo Rabelo. FOTO: DIVULGAÇÃO

Há mais investidores de criptomoedas do que na bolsa, no Brasil. Somente no Mercado Bitcoin, a maior exchange da América Latina, são dois milhões de clientes individuais. E esse volume tende a aumentar, dado que ainda estamos no início da jornada cripto, que ganhou tração apenas no final de 2017.

Em 2019, o Facebook divulgou o projeto Libra, em uma associação que contava com outros grandes nomes do mercado tecnológico e financeiro. Os bancos centrais de todo mundo também têm anunciado estudos para criar uma criptomoeda estável e oficial – sendo que a China já iniciou testes no varejo.

Alguns dos maiores players do mercado financeiro global como ICE/NYSE, CME, JP Morgan, Bloomberg e Fundo Renaissance têm manifestado investimentos na área ou reconhecido a relevância do setor.

No Brasil, fundos de investimento em criptomoedas estão listados nas corretoras e um dos principais nomes de nosso mercado, o Luis Stuhlberger da Verde Asset, disse recentemente que bitcoin deve ser um dos grandes vencedores da crise econômica atual.

Falta, todavia, um pequeno ajuste no modelo.

Os incumbentes hiper concentrados (“somos 200 milhões de trouxas sendo explorados por seis empresas”, nas palavras do Ministro Paulo Guedes) atrasam como podem a inovação em nosso País, muitas vezes sob a desculpa esdrúxula de ausência de lei para prever a novidade.

O que se esconde por trás dessa estratégia é a tentativa de blindagem através de regulação que favoreça quem já domina o mercado; que exija que todo e qualquer novo negócio se adeque à estrutura que construíram ao longo de anos.

Mesmo assim, pela força do empreendedor brasileiro, algumas exchanges prosperaram e conseguiram se estabelecer. Agora, com a abertura do sandbox da Comissão de Valores Mobiliários, terão a oportunidade de propor melhorias, como a listagem de security tokens (tokens que representem ações e ETFs) nas plataformas de negociação que hoje somente podem negociar aqueles ativos digitais que não têm natureza de valor mobiliário.

O mercado à vista pode ser mais simples, transparente e barato. Na era do e-commerce, o marketplace financeiro reduz intermediários e pode servir como plataforma de entrada para os investidores, deixando para os participantes tradicionais as opções de investimento mais complexas, como opções, futuros e fundos de gestão ativa.

Tal qual o Banco Central, a CVM tem observado melhor o ecossistema de inovação, ciente de que a evolução do mercado de capitais exigirá que tenhamos competição. A evolução das regras de crowdfunding, a atualização da ICVM 461 e, agora, o sandbox regulatório são a melhor oportunidade para sairmos da dependência do monopólio atual.

*Reinaldo Rabelo, CEO do Mercado Bitcoin

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