Rota da recuperação do Brasil passa por SP

Rota da recuperação do Brasil passa por SP

Sylvio Lazzarini*

30 de março de 2021 | 03h15

Sylvio Lazzarini. FOTO: ARQUIVO PESSOAL

A economia brasileira não avança sem São Paulo. O estado foi responsável por 30% do Produto Interno Bruto em 2019, gerando riqueza equivalente a R$ 2,27 trilhões, segundo o IBGE. Além disso, concentra mais de 20% de toda a população do país, com um PIB per capita 52% maior que a média nacional.

O caminho que levará o Brasil para fora da crise atual passa, necessariamente, pela recuperação da economia paulista.

Esse processo, aliás, poderia estar mais avançado, não fosse um inaceitável atraso no programa de vacinação da população brasileira. Esse contratempo foi provocado, como se sabe, por entraves burocráticos. A recusa de milhares de doses de vacinas, como aquelas oferecidas pela Pfizer em setembro do ano passado, também prejudicou nosso calendário de imunização. Erros administrativos que hoje nos impedem de controlar melhor a pandemia.

Apesar das dificuldades, o governo paulista vem dando importantes passos na direção da retomada econômica, a começar pela adoção de parâmetros científicos para o programa de combate à Covid-19. Esse trabalho é conduzido por um comitê de saúde, coordenado por João Gabbardo, em estreita parceria com a Secretaria Estadual de Saúde, liderada pelo brilhante médico infectologista Jean Gorinchteyn. Soma-se a isso a velocidade da produção de vacinas pelo Instituto Butantan, responsável por oito em cada dez dos imunizantes oferecidos à população brasileira.

Desde que tenhamos a situação sanitária sob controle, não faltam atores capazes de impulsionar a economia paulista. Um deles é o agronegócio. A Secretaria de Agricultura e Abastecimento é conduzida pelo empresário Gustavo Junqueira, administrador experiente, oriundo de tradicional família de agropecuaristas. Sob sua gestão, observamos uma impressionante evolução no setor, com fazendas de altíssima produtividade que operam sem deixar de observar padrões internacionais de sustentabilidade.

O programa Integração Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF), criado pela Embrapa, também passa por forte expansão em São Paulo. Esse modelo permite que diferentes sistemas de produção funcionem em conjunto, elevando os rendimentos da propriedade rural e reduzindo emissões de gases de efeito estufa.

Outro exemplo de pujança encontra-se na pecuária paulista. A cadeia produtiva das carnes (bovinos, suínos, aves, cordeiros) funciona de maneira harmônica, desde a produção dos insumos, muitas vezes importados de outros estados, passando pela criação e abate dos animais, industrialização, distribuição, chegando enfim ao elo da comercialização, que envolve uma rede gigantesca de açougues, supermercados e restaurantes. Uma estrutura organizada que permite à carne bovina brasileira, por exemplo, ter qualidade superior a estrangeira.

Por isso podemos projetar uma recuperação econômica segura para São Paulo. A estimativa do secretário da Fazenda, Henrique Meirelles, é de 5% de crescimento em 2021, bem acima dos 3% a 3,5% de crescimento que os analistas esperam para o PIB nacional. Para que esse cenário se concretize, Meirelles considera crucial um bom ritmo de vacinação, opinião referendada, aliás, pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

Mesmo assim, o crescimento só virá de fato se conseguirmos também reduzir o chamado “custo Brasil”. Mesmo em um cenário de controle da pandemia, não há dúvida de que um ambiente mais favorável aos negócios, livre de burocracia e de insegurança jurídica, seja pré-condição para atrair investimentos. Precisaremos avançar algumas reformas estruturais em 2021, sobretudo a administrativa e a tributária, para gerar crescimento econômico e desenvolvimento social.

São tarefas urgentes, sem as quais não alcançaremos a tão esperada recuperação. Vários setores da economia paulista, como lojas de rua, shopping centers, restaurantes e demais estabelecimentos de lazer aguardam ansiosos pelo retorno, prontos para observar rigorosamente os protocolos de segurança estabelecidos pelas autoridades sanitárias. Cabe agora aos gestores públicos tomarem as medidas necessárias para que a economia do estado e do país possam, enfim, voltar aos trilhos.

A bandeira paulistana traz os dizeres em latim “Non ducor, duco”, ou “não sou conduzido, conduzo”. Que esse lema sirva de inspiração, permitindo a São Paulo liderar a retomada da renda e do emprego em todo o Brasil, com força, fé e, sobretudo, coragem.

*Sylvio Lazzarini é empresário do setor de serviços e vice-presidente do SindResBar

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