‘Rosa é uma luz na escuridão neste momento difícil que o País atravessa’

‘Rosa é uma luz na escuridão neste momento difícil que o País atravessa’

Luís Roberto Barroso também se manifestou contra vídeo com ataques contra a ministra Rosa Weber

Amanda Pupo e Rafael Moraes Moura/BRASÍLIA

23 de outubro de 2018 | 18h12

Ministro Luís Roberto Barroso. FOTO DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO

BRASÍLIA – Sem citar diretamente o vídeo de um homem identificado como coronel do exército que fez uma série de ofensas a integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente à ministra Rosa Weber, o ministro Luís Roberto Barroso afirmou nesta terça-feira, 23, que Rosa é “uma luz na escuridão neste momento difícil que o País atravessa”. A declaração foi feita após a sessão de julgamentos da Primeira Turma do STF, a qual a ministra integra. A manifestação de Barroso foi endossada pelos colegas da turma.

“O mal, a grosseria, a injustiça não podem mais que o bem”, disse o ministro, que é vice de Rosa na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Queria manifestar meu amor e admiração à ministra Rosa. A senhora é um orgulho para todos, uma honra para Justiça brasileira, e uma luz na escuridão nesse momento difícil que o País atravessa. E o que brilha com luz própria, como é o caso da senhora, não há nada que possa apagar”, comentou Barroso.

“Como disse Barroso, quem tem luz própria não precisa se preocupar com ataques grosseiros, e até mesmo criminosos, que vêm sendo feitos”, afirmou o ministro Alexandre de Moraes. Presente na sessão, a Subprocuradora-Geral da República Cláudia Sampaio aderiu a manifestação de Barroso em nome do Ministério Público, declarando “absoluta admiração e confiança na ministra Rosa Weber”, disse.

Nesta terça-feira, a Segunda Turma do STF decidiu pedir à Procuradoria-Geral da República (PGR) que investigue o vídeo que circula nas redes sociais. Nele, Rosa é chamada de “salafrária”, “corrupta” e “incompetente”.

“Olha aqui, Rosa Weber, primeiro que eu falo eu não tenho medo de você, nem de ninguém: não te atreve a ousar aceitar essa afronta contra o povo brasileiro, essa prova indecente do PT de querer tirar Bolsonaro do pleito eleitoral, acusando-o de desonestidade, de ser cúmplice numa campanha criminosa fraudulenta com o WhatsApp para promover notícias falsas”, avisa o autor do vídeo, em relação a uma ação que tramita no TSE para investigar o suposto disparo em massa de mensagens contra o PT.

“(Dirigindo-se à ministra Rosa Weber) Se você aceitar essa denúncia ridícula e tentar tirar Bolsonaro, nós vamos derrubar vocês aí, sim, porque aí acabou”, ameaçou o autor do vídeo, que chamou o STF de tribunal de “canalhas” e “vagabundos”, e afirmou não aceitar um resultado que não seja a vitória do candidato do PSL à presidência da República, Jair Bolsonaro.

Na abertura da sessão da 2ª Turma, o decano da Corte, ministro Celso de Mello, considerou o discurso do vídeo “repugnante”. “Exteriorizou-se esse discurso imundo e sórdido mediante linguagem insultuosa, desqualificada por palavras superlativamente grosseiras e boçais, próprias de quem possui reduzidíssimo e tosco universo vocabular, indignas de quem diz ser Oficial das Forças Armadas”, disse Celso de Mello, que teve a fala endossada pelos demais ministros da Segunda Turma.

Até a publicação deste texto, o Broadcast Político não havia obtido posicionamentos da PGR e do Exército sobre o vídeo. Procurado pela reportagem, o TSE informou que não se manifestaria. (Amanda Pupo e Rafael Moraes Moura)

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