Rosa dá dez dias para Bolsonaro se manifestar em ação da ABI por ameaças a jornalistas

Rosa dá dez dias para Bolsonaro se manifestar em ação da ABI por ameaças a jornalistas

Associação Brasileira de Imprensa acusa 'declínio da liberdade de expressão no Brasil'; ministra do Supremo Tribunal Federal também quer ouvir Câmara e Senado

Rayssa Motta e Fausto Macedo

20 de abril de 2021 | 11h00

Ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal. Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF

A ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu dez dias para que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o Senado Federal e a Câmara dos Deputados prestem informações em uma ação movida pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI). A entidade pede que o tribunal delimite a interpretação de artigos da Constituição que, em sua avaliação, têm ‘efeito silenciador’ ao abrirem caminho para o ‘emprego abusivo’ de ações de reparação contra jornalistas e veículos de comunicação.

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Ao Supremo, a ABI acusa um quadro de ‘declínio da liberdade de expressão no Brasil’. Na ação, assinada pelos advogados Cláudio Pereira de Souza Neto, Natáli Nunes da Silva e Fernando Luís Coelho Antunes, a associação lista como sintomas as crescentes ameaças a jornalistas e a ativistas, a hostilização de profissionais de imprensa por autoridades governamentais e seus apoiadores, a instauração de procedimentos de responsabilização criminal contra a categoria, inclusive com base da Lei de Segurança Nacional sancionada na ditadura, e a possibilidade de ajuizamento de múltiplas ações de reparações de danos, com o mesmo objeto e contra o mesmo jornalista ou órgão de imprensa, ‘com o propósito de lhes impor constrição econômica e de dificultar o exercício do direito de defesa’.

Rosa decidiu ouvir, em um primeiro momento, as informações dos Poderes Executivo e Legislativo. “A matéria objeto do presente feito revela-se de extrema delicadeza e relevância singular, nela contemplado, sem dúvida, especial significado para a ordem social e para a proteção de liberdades constitucionais de índole fundamental”, escreveu no despacho assinado na última sexta-feira, 16.

Antes de tomar uma decisão, a ministra ainda vai esperar, como é de praxe, manifestações da Advocacia Geral da União e da Procuradoria Geral da República.

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