Ronan deixa a prisão da Lava Jato

Ronan deixa a prisão da Lava Jato

Empresário, alvo da Operação Carbono, desdobramento da investigação sobre corrupção na Petrobrás, havia sido preso no dia 1.º de abril sob suspeita de lavagem de dinheiro emprestado por amigo de Lula junto ao Banco Schahin para ajudar o PT

Fausto Macedo, Julia Affonso e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

08 de julho de 2016 | 17h13

Ronan Maria Pinto. Foto: Beto Barata/AE

Ronan Maria Pinto. Foto: Beto Barata/AE

O empresário Ronan Maria Pinto deixou na tarde desta sexta-feira, 8, a prisão da Lava Jato. Ele foi solto por determinação do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF4), que reformou ordem de prisão preventiva do juiz Sérgio Moro.

Ronan foi levado pela escolta da Polícia Federal do Complexo Médico Penal de Pinhais, nos arredores de Curitiba, para a 12.ª Vara da Justiça Federal onde ouviu as instruções que deverá seguir e recebeu a tornozeleira eletrônica que o manterá sob monitoramento permanente e ininterrupto.

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O empresário vai retornar ainda hoje a Santo André, na Grande São Paulo, onde reside.

Além da tornozeleira, o Tribunal impôs a Ronan o pagamento de fiança de R$ 1 milhão – valor já recolhido em conta judicial. Ele poderá retomar suas atividades. Ronan é dono do jornal Diário do Grande ABC. À noite e nos fins de semana, porém, o empresário terá que permanecer em casa.

A Lava Jato suspeita que ele comprou o Diário com R$ 6 milhões que teria recebido via José Carlos Bumlai, pecuarista amigo do ex-presidente Lula que também foi preso na Lava Jato, em 24 de novembro de 2015.

Bumlai tomou empréstimo supostamente fraudulento de R$ 12 milhões, do Banco Schahin, em outubro de 2004. Ele afirmou ao juiz Moro que o dinheiro foi destinado ao PT.

Ronan foi preso na Operação Carbono 14, desdobramento 27 da Lava Jato, em 1.º de abril. O advogado Fernando José da Costa informou que Ronan vai retomar a rotina. “Ele vai voltar a administrar o jornal e sua empresa de ônibus, vai fazer o que sempre fez a vida toda.”

COM A PALAVRA, O ADVOGADO FERNANDO JOSÉ DA COSTA, DEFENSOR DE RONAN

“Talvez essa decisão seja um marco no sentido de que prisão preventiva só deve ser decretada e mantida em último caso. Muitas outras medidas, que não a prisão, podem ter a mesma ou melhor eficácia e, por tal motivo, o nosso Código de Processo Penal a coloca como última das exceções. O sr. Ronan, agora, vai retomar suas atividades empresariais e também vai provar sua inocência no processo.”

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