Rompendo o cansaço

Rompendo o cansaço

Cassio Grinberg*

25 de julho de 2021 | 09h00

Cassio Grinberg. FOTO: DIVULGAÇÃO

Está se sentindo cansado? Não adianta disfarçar, eu sei que você está. Eu também estou.

Passei toda a pandemia repetindo para mim mesmo uma frase que escrevi em alguma página do meu livro Desaprenda: ‘a hora que você está mais cansado é justamente a hora de acelerar. O sucesso está logo ali dobrando a esquina, mas você está cansado demais para ver’.

Será que escrevi essa frase para vender mais livros? Me lembro que até pedi ao designer que criasse um desenho para representá-la, — que na verdade, agora me lembro, não é apenas uma frase: é inclusive um capítulo. (No desenho, vemos um boneco suando em uma pista de caminhada, e na frente dele, três representações gráficas: primeiro um retângulo com a palavra bar, depois uma linha imaginária pontilhada, depois outro retângulo com a palavra sucesso).

Claro que não escrevi essa frase para vender mais livros, embora, se ela tivesse esse poder, eu não me importaria. Escrevi essa frase porque, mesmo que eu mesmo tenha que lembrar a mim mesmo de vez em quando, eu de fato acredito nela. E, no caso do monstro que estamos finalmente mais perto de derrubar, a metáfora é adequada.

É hora de respirar. Não ainda de comemorar. De respirar. E é hora de ser menos alarmista e mais otimista.

Romper o cansaço não significa exatamente acelerar quando não existe possibilidade, este é meu desaprendizado: romper o cansaço é parar, puxar ar para os pulmões, olhar em volta, fechar os olhos, olhar novamente, e seguir caminhando.

Romper o cansaço é pedir ajuda, é beijar a filha, é pensar na mãe.

Romper o cansaço é confiar na solução das coisas, e neste momento ela se chama vacina. Existe uma vacina real, que vem se tornando cada vez mais acessível, mas existe também uma vacina imaginária, que a gente precisa aplicar com dose diária até que a gente se sinta de novo forte para, então, acelerar de verdade.

*Cassio Grinberg, sócio da Grinberg Consulting e autor do livro Desaprenda – como se abrir para o novo pode nos levar mais longe

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