Rocha Loures disse que ia pegar ‘mala de um amigo’ na pizzaria, conta taxista

Rocha Loures disse que ia pegar ‘mala de um amigo’ na pizzaria, conta taxista

Ex-assessor do presidente Michel Temer (PMDB) foi filmado em 28 de abril, pela Polícia Federal, saindo apressado de um estacionamento em São Paulo, carregando uma mala preta com R$ 500 mil em dinheiro vivo

Julia Affonso, Fabio Serapião e Fausto Macedo

21 de junho de 2017 | 11h20

Rocha Loures carrega mala com R$ 500 mil em dinheiro. Foto: Reprodução

O taxista Daniel Rosa Pile, que transportou o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), em São Paulo, em 28 de abril, contou à Polícia Federal que o ex-assessor especial do presidente Michel Temer (PMDB) relatou ter ido à pizzaria pegar ‘a mala de um amigo’. Naquela noite, Rocha Loures foi filmado pela PF saindo apressado do estacionamento de uma pizzaria nos Jardins, carregando uma mala preta com R$ 500 mil em dinheiro vivo da JBS.

Rocha Loures está preso desde 3 de junho por ordem do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF). O ex-deputado é investigado na Operação Patmos, desdobramento da Lava Jato.

Documento

As imagens mostram Rocha Loures desconfiado, olhando para os lados, em direção a um táxi que o aguardava na Rua Pamplona, com o porta-malas aberto. O taxista que pegou a corrida naquele dia narrou que o ex-deputado entrou no carro em direção ao Aeroporto de Congonhas, mas pediu para fazer duas paradas no caminho.

“O cliente não trazia consigo nenhuma mala quando iniciou a corrida; que depois que a corrida se iniciou houve uma primeira parada em uma Pizzaria na Rua Pamplona; que recorda-se de o cliente ter dito que teria que parar na pizzaria para pegar ‘a mala de um amigo’; que o cliente estava com pressa porque precisava ir para o aeroporto”, contou o taxista.

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Segundo o motorista, Rocha Loures desceu do táxi nas proximidades da pizzaria e ‘retornou com uma mala de viagem’, que foi ‘colocada no porta-malas do táxi pelo próprio cliente’.

“Na sequência, o cliente pediu para ir a um segundo endereço para buscar sua própria mala de viagem”, narrou. “Nesta segunda parada, o cliente pegou a mala que estava no porta-malas, entrou no prédio e pediu para o declarante (taxista) esperar; que depois de alguns minutos, o cliente retornou do prédio com outra mala e a colocou no porta-malas; que na sequência foram rumo ao Aeroporto de Congonhas onde o cliente foi desembarcado.”

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O taxista disse à PF não sabia que o cliente era Rodrigo Rocha Loures. A PF mostrou uma foto de Rocha Loures, que foi reconhecido ‘como o cliente daquela noite’.

“Não notou nervosismo no cliente, além da pressa em razão do horário do voo”, relatou.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO CEZAR BITENCOURT, DEFENSOR DE ROCHA LOURES

“O relatório da Polícia relativamente ao CADE e a Rodrimar, quanto a Rodrigo Rocha Loures, é absolutamente inconsistente e falacioso, ou seja, sem base fática trazida dos autos. Vejam as declarações de Ricardo Mesquita, executivo daquela empresa, que negou na Polícia Federal o pagamento de qualquer valor a Rodrigo ou Temer. A mala de dinheiro, segundo afirmam, decorreu da armação de Joesley.”

Cezar Bitencourt

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