Robôs em ação: descubra como o conceito futurista de automação já é uma realidade na sociedade

Robôs em ação: descubra como o conceito futurista de automação já é uma realidade na sociedade

Maucir Nascimento*

29 de maio de 2021 | 03h30

Maucir Nascimento. FOTO: DIVULGAÇÃO

Não é de hoje que a presença de robôs na sociedade levanta uma série de dúvidas, expectativas e questionamentos. A interação entre humanos e máquinas parecia ser possível apenas em um futuro muito distante, no entanto, graças ao avanço da tecnologia, em 2021, os humanos já podem desfrutar de alguns serviços e facilidades fornecidos pelas máquinas, desde o universo doméstico até as empresas.

Nos Estados Unidos, por exemplo, os robôs utilizados para fazer entregas, por algumas empresas de logística, estão tão inseridos na sociedade que foram classificados como pedestres em cinco estados: Pensilvânia, Virgínia, Idaho, Winsconsin e Flórida.

Na Austrália, assim como nos demais países desenvolvidos, o grande índice de automação de serviços se dá por um fator primordial: a mão de obra é muito cara. Assim sendo, aplicativos e tecnologias automatizantes são amplamente adotadas. Do lado do software, um exemplo simples é a adoção de aplicativos de celular que entregam simulações de reformas simples para a sua propriedade, ao invés de contratar um arquiteto somente para isso. Do lado do hardware, os caminhões de lixo só requerem uma pessoa para desempenhar sua função: o motorista, pois a coleta das lixeiras é feita por um braço mecânico (em comparação com 3 pessoas que são necessárias por caminhão no Brasil).

Já no Brasil, acontece ao contrário, um dos grandes desafios para a automação é a mão de obra ser muito barata. Consequentemente, esse fator contribui para um atraso desta transição, entretanto, não a anula. Grande parte do que a tecnologia já tornou realidade em países desenvolvidos eventualmente chegará ao Brasil, ainda que de forma tardia.

Prova disso é que, no Brasil, bancos já estão negociando dívidas através dos atendentes virtuais; restaurante de fast-food já funciona totalmente robotizado; empresas estão fazendo testes com drones e robôs para efetuar entregas diretamente na casa das pessoas.

Automação para dentro de casa: como a robotização já impacta a rotina de afazeres doméstica

Aliás, já imaginou ter um robô dentro da sua casa te auxiliando nos serviços domésticos? Essa ideia, que era coisa imaginada só em filmes e desenhos, como o clássico “Os Jetsons“, agora é uma realidade que já se incorpora perfeitamente à rotina de milhares de brasileiros. Do ponto de vista de hardware, o “robô aspirador”, disponível no mercado por algumas marcas, possui funcionalidades como: aspirar o pó da casa, passar pano e ainda permite uma configuração com espécie de “timer” para iniciar a faxina. É uma verdadeira revolução silenciosa, que tem se aprofundado desde a reforma trabalhista, que regulamentou o setor das empregadas domésticas, tornando esta mão de obra mais cara. Embora os mais abastados ainda possam contar com funcionários do lar em tempo integral, as famílias de classe média já se adaptaram largamente à diaristas e, aos poucos, à automação.

A automação não só está tomando proporções gigantescas, mas também está cada vez mais incorporada à rotina da população, com a proposta de ser um “facilitador de serviços” e não de “roubar o lugar das pessoas”. A mão de obra e o olhar humano sempre serão indispensáveis, no entanto, uma “ajudinha” sempre vai bem. À medida que tais tecnologias são implementadas, mais uma vez, caminhamos pro alinhamento com o que fazem pessoas em países desenvolvidos que também fazem essa mescla de automação x ajuda humana.

Robotização em vendas: descobrindo como a tecnologia impacta o setor

Os robôs atendem demandas nos mais variados segmentos, entre eles, o de vendas. A tradicional interação com humanos durante as etapas de uma compra, está dando lugar à objetividade e agilidade dos robôs. Uma estratégia que vem se mostrando assertiva principalmente quando utilizada na comunicação com usuários da Geração Z.

De acordo com um estudo da Ilumeo, consultoria de Data Science, a Geração Z prefere “recomendadores” artificiais à humanos. O motivo? A personalização de serviço fornecida pela Inteligência Artificial (IA). Tratam-se de ferramentas que são capazes de fazer uma escolha personalizada de produtos de acordo com o histórico de buscas.

Um exemplo disso é quando você quer trocar de celular: basta pesquisar uma vez. Depois disso você está fadado a ver inúmeras propagandas, como se a internet adivinhasse o que você quer comprar! O nome desse processo é remarketing. Todas as redes sociais e motores de busca se utilizam dos algoritmos. Ninguém quer perder a sua compra!

Os crawlers, conhecidos como robôs “rastreadores” (em tradução literal), estão entre estes algoritmos. Eles são os responsáveis por identificar e processar dados em páginas da internet, com o objetivo de criar uma base segura e atualizada de informações.

Através desses sistemas é possível catalogar dados relevantes e atualizados sobre de inúmeras empresas ativas do Brasil, municiando os departamentos comerciais com informações relevantes para alavancar as vendas. Além disso, também é possível identificar outros negócios com perfil semelhante à cartela de clientes ativa. Dessa forma, o vendedor consegue focar na prospecção com mais eficiência. A alternativa aqui seria seres humanos fazendo o levantamento desses dados manualmente, o que é um desperdício de tempo monumental. Ou seja: a automação entrega aqui tanto dados para dimensionamento e estudo de mercado quanto dados pra prospecção ativa.

Ainda dentro do setor de vendas, quando o assunto é Inteligência Artificial no atendimento ao cliente, uma realidade do mercado vem ganhando cada vez mais espaço na interface com o usuário: os bots e chatbots, ou seja, interfaces automatizadas ou assistentes virtuais de conversação que simulam humanos no atendimento aos clientes, ou ao menos substituem as insuportáveis uras telefônicas.

Por fim, podemos concluir que os robôs vieram para ficar. Em todos os cantos do mundo. Agora, cabe ao ser humano desfrutar das facilidades que as máquinas oferecem, desde o auxílio em tarefas domésticas até a realização de serviços coletivos, e aproveitar para canalizar energia e esforços em outras atividades, como por exemplo, ficar com a família ao invés de fazer faxina.

*Maucir Nascimento, cofundador da Speedio, plataforma de Big Data e IA para geração de leads B2B. Autor do livro A Volta dos que Foram

Tudo o que sabemos sobre:

Artigo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.