Robinho – o retorno do ídolo condenado por estupro

Robinho – o retorno do ídolo condenado por estupro

Felipe Mello de Almeida e Luiza Pitta*

18 de outubro de 2020 | 12h06

Nestes últimos dias, a contratação do jogador Robinho, por seu antigo time – Santos Futebol Clube, trouxe muitas discussões, sobretudo nas redes sociais, especialmente porque o clube já havia realizado campanhas contra a violência doméstica. O atleta, que já foi um dos maiores ídolos do clube, possui uma condenação criminal na Itália, por estupro, a uma pena de 9 anos de prisão.

A pena foi imposta apenas na primeira instância, o processo está longe do final e Robinho, para espanto de muitos, responde ao processo em liberdade. Na Itália, como o Brasil, também existe a possibilidade de o acusado somente ser considerado culpado término do final, sentença condenatória definitiva. Lá, da mesma forma que aqui, a prisão provisória somente é imposta quando demonstrada a sua necessidade.

O ídolo da baixada santista, que atualmente estava jogando no time Istambul Basaksehir, onde permaneceu a maioria dos jogos no banco de reserva, já tinha se envolvido em outro escândalo, também com supostos crimes sexuais contra mulher, no ano de 2007 e, ao que parece, sem qualquer condenação. Neste fato em questão, não se tem dúvida que Robinho acompanhará o processo em liberdade e, portanto, até segunda ordem, não enfrentará grandes constrangimentos jurídicos até o término do processo, ou seja, existe ainda a possibilidade de ele ser absolvido ou ao continuar condenado.

O jogador Robinho durante treino. Foto: Ivan Storti/Santos FC

No entanto, o que mais impressiona nestes fatos, é que se sustente a necessidade de se aguardar a decisão judicial na esfera penal, para se fazer uma análise sobre os fatos. Não se pode ignorar que, desde sempre, especialmente nas redes sociais, as pessoas são “canceladas” e excluídas em razão de fatos absolutamente irrelevantes. Durante a pandemia, uma blogueira fitness, mesmo imune ao covid-19, foi execrada por ter reunido com alguns amigos e, por conta dos ataques virtuais, chegou a deletar sua conta no Instagram.

Da mesma forma, um integrante polêmico de um reality show teve diversos contratempos, sobretudo relacionados aos patrocínios, em razão de ter sido acusado, por algumas supostas vítimas, de crimes sexuais. Não podemos esquecer de uma cantora popular que foi esculachada em razão do aparecimento de áudios antigos, nos quais falava mal de outras celebridades. Recentemente uma jogadora de vôlei também foi extremamente criticada por, publicamente, se opor ao presidente da república, sendo que, neste caso, ela responde a um processo na justiça desportiva.

O mais curioso é perceber que os fatos, envolvendo o jogador de futebol, mesmo sendo infinitamente mais grave e, ao que parece, mais crível, tendo em vista que uma juíza togada fundamentou sua condenação, não seja suficiente para que a maioria das pessoas questionem, e até mesmo publicamente se oponham à sua contratação. Entretanto, mesmo diante de todos os indícios do cometimento do crime, existem aqueles que querem comprar e usar a camisa do “ídolo”, deixando claro que o machismo existente no ambiente do futebol é gigantesco e absolutamente ilógico. Mesmo assim, nunca morre a esperança de que estas discussões não sejam mais necessárias, prevalecendo a razoabilidade e a capacidade de uma análise mais apurada pelos que se manifestam, especialmente, nas redes sociais.

*Felipe Mello de Almeida é advogado criminalista, especialista em Processo Penal, Pós-Graduado em Direito Penal Econômico e Europeu e em Direito Penal Econômico Internacional; Luiza Pitta é advogada, Pós-Graduada em Direito Penal Econômico e associada do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais – IBCCRIM.

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