Roberto Jefferson (PTB) é alvo de busca na Registro Espúrio

Roberto Jefferson (PTB) é alvo de busca na Registro Espúrio

Além do presidente nacional do PTB, são alvos de buscas os gabinetes dos deputados Jovair Arantes (PTB), Paulinho da Força (Solidariedade) e Wilson Filho (PTB). A sede da Força Sindical também é alvo da ação da PF

Fabio Serapião, Igor Gadelha e Fernando Nakagawa

30 Maio 2018 | 09h00

Crédito:WILTON JUNIOR/AGÊNCIA ESTADO/AE/Código imagem:119865

O ex-deputado e presidente nacional do PTB Roberto Jefferson, pivô do escândalo do Mensalão do PT, é alvo de busca e apreensão  da operação Operação Registro Espúrio. Deflagrada na manhã desta quarta-feira, 30, a operação mira uma suposta organização criminosa a atuar na concessão fraudulenta de registros sindicais junto ao Ministério do Trabalho.

+ Servidores do Ministério do Trabalho já foram denunciados

Além de Jefferson, são alvos de busca os gabinetes dos deputados Jovair Arantes (PTB), Paulinho da Força (Solidariedade) e Wilson Filho (PTB). A sede da Força Sindical também é alvo da ação da PF. Todos seriam integrantes do núcleo político da suposta organização criminosa que atuava na pasta.

A operação é resultado de uma investigação da PF e foi solicitada ao ministro Edson Fachin pela procuradora-geral da República Raquel Dodge.

A PF, diz nota da PGR, identificou ao longo de um ano de investigação a existência de um esquema criminoso estruturado em cinco núcleos de atuação: administrativo, político, sindical, captador e financeiro.

“Também são mencionados, como exemplo, das fraudes, pagamentos que envolviam valores que chegaram a R$ 4 milhões pela liberação de um único registro sindical. Desde 2017, parte dos integrantes do grupo criminoso responde a uma ação por improbidade administrativa em andamento na Justiça Federal, em Brasília”, diz a nota.

Núcleos. De acordo com a apuração da PF, o núcleo administrativo era formado por 10 servidores do ministério utilizados para viabilizar as fraudes que incluíam o desrespeito à ordem cronológica dos requerimentos e o direcionamento dos resultados dos pedidos.

O núcleo político, por sua vez, era formado por parlamentares e ex-parlamentares que atuavam indicando e mantendo em cargos estratégicos da Secretaria de Relações do Trabalho do MTE os servidores que faziam parte do esquema. O núcleo sindical ia responsável pelo contato com os funcionários públicos encarregados de operacionalizar as fraudes.

“O quatro segmento identificado pelos investigadores era o captador: lobistas e advogados que faziam a intermediação entre os sindicados interessados em registros com os demais integrantes da organização criminosa. O esquema se completava com a atuação do núcleo financeiro que viabilizava os pagamentos (das entidades sindicais para os envolvidos) por meio da simulação de contratos fictícios de trabalho”, diz a PGR.

COM A PALAVRA, O PTB

A Direção Nacional do PTB afirma que jamais participou de quaisquer negociações espúrias no Ministério do Trabalho e declara que, se for comprovado na Justiça o envolvimento de petebistas no referido esquema investigado pela Polícia Federal, os culpados, se houver, devem assumir suas responsabilidades perante a sociedade.

O PTB reitera apoio ao trabalho da Polícia Federal – ontem, hoje e sempre -, em especial neste grave momento da vida nacional.

Brasília, 30 de maio de 2018

*Roberto Jefferson*
*Presidente Nacional do PTB*

COM A PALAVRA, A FORÇA SINDICAL

A Força Sindical vem a público esclarecer que a operação da Polícia Federal nas dependências da central objetiva a busca e apreensão de documentos, o que a Força Sindical disponibilizou, sem qualquer restrição, e o que mais se fizer necessário para o cumprimento da ordem legal.
A Força Sindical, que representa dois mil sindicatos em todo o Brasil e 13 milhões de trabalhadores, sempre esteve à frente da luta nas grandes conquistas trabalhistas, e está à disposição para quaisquer novos esclarecimentos.
Vale lembrar que ontem a Organização Internacional do Trabalho – OIT acatou a denúncia, assinada pelas seis maiores centrais sindicais, que acusa o Brasil de promover uma reforma trabalhista que penaliza os trabalhadores e viola direitos, além de perseguir os sindicatos como forma de desmontar o movimento sindical.
Não vamos permitir que criminalizem o movimento sindical como forma de enfraquecer a luta dos trabalhadores.
Ressaltamos, ainda, que continuamos a apoiar as legítimas greves dos caminhoneiros e petroleiros.

João Carlos Gonçalves, Juruna
Secretário-geral da Força Sindical

COM A PALAVRA, PAULINHO DA FORÇA

O Deputado Paulo Pereira da Silva é o maior defensor da pauta trabalhista no Congresso Nacional. Já foi investigado em diversas oportunidades e sempre conseguiu provar que as denúncias foram fruto de pessoas incomodadas com sua atuação contundente na defesa incansável do trabalhador brasileiro. A citação do Deputado na Operação Registro Espúrio deflagrada hoje pela Polícia Federal não possui nenhum fundamento senão criminalizar o movimento sindical como um todo. O Deputado desconhece em absoluto os fatos investigados e esclarece que o Partido Solidariedade não é o responsável pelas indicações no Ministério do Trabalho. O Deputado continua a disposição das autoridades e confia plenamente no trabalho da justiça para o completo esclarecimento dos fatos.