Riva diz em delação que deputado indicou empresa para licitação de mais de R$ 100 milhões da Arena Pantanal

Riva diz em delação que deputado indicou empresa para licitação de mais de R$ 100 milhões da Arena Pantanal

Ex-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, hoje réu em ações criminais e por improbidade, afirma que pregão da área de TI do estádio que sediou jogos da Copa de 2014 foi fraudado a pedido de Romoaldo Júnior (MDB), que nega as imputações do delator

Rayssa Motta, Pepita Ortega e Fausto Macedo

10 de novembro de 2020 | 06h00

O ex-presidente da Assembleia de Mato Grosso, José Geraldo Riva, em delação. Foto: Reprodução

No anexo 31 de sua delação premiada, o ex-presidente da Assembleia Legislativa de Mato GrossoJosé Geraldo Riva, réu em ações criminais e por improbidade, afirma que a licitação da área de Tecnologia da Informação (TI) da Arena Pantanal, estádio que sediou quatro jogos da Copa do Mundo de 2014, foi fraudada e direcionada em favor de uma empresa indicada pelo deputado estadual Romoaldo Júnior (MDB).

Segundo o delator, a Canal Livre Comércio e Serviços LTDA só levou o empreendimento porque houve uma combinação entre o parlamentar e o então governador Silval Barbosa (MDB/2010-2015).

“Eu fui procurado pelo deputado Romoaldo Júnior, que me informou que tinha feito um compromisso de passar essa obra, licitação da TI, de ajudar a empresa Canal Livre a ganhar essa obra, esse certame”, declarou José Riva, em depoimento gravado em vídeo. 

“Eu consultei o governador Silval Barbosa na ocasião. Ele disse que não havia problema, que eu realmente podia encaminhar e ajudar o deputado Romoaldo, que ele realmente tinha um compromisso de repassar essa obra para uma empresa designada pelo deputado Romoaldo”, complementou o colaborador. 

Diante do sinal verde de Silval Barbosa, Riva diz que marcou uma reunião com os interessados: além de Romoaldo Júnior, teriam comparecido Rodrigo Frizon, representante da Canal Livre, e Manoel Padilha da Cunha Júnior, dirigente da Complex Tecnologia Limitada, também participante do pregão.

“O deputado Romoaldo garantiu ao senhor Padilha que arrumaria uma outra obra para ele, se ele facilitasse a vitória da empresa Canal Livre. E o senhor Padilha colaborou”, sustenta o delator. 

Conforme Riva, no período, ele estava afastado do cargo e o mandato de presidente da Assembleia Legislativa era exercido pelo próprio Romoaldo Júnior.

“Tenho conhecimento que essa empresa, Canal Livre, realmente logrou vencedora desse certame da obra, que estava estimado em aproximadamente R$ 100 milhões. Não sei em quanto importou, mas pelo menos era esse valor aproximado. Sei que isso foi no período de 2013 e 2014, até porque o deputado Romoaldo inclusive exercia o mandato de presidente com o meu afastamento, mas eu tinha todo o reconhecimento do deputado Romoaldo e sempre era procurado por ele”, disse Riva.

A documentação comprobatória encaminhada pelo delator inclui extratos de valores empenhados e pagos pela Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo (Secopa-MT) ao Consórcio CLE (Canal Livre Comércio e Serviços LTDA e Etel Engenharia de Montagens e Automação). O contrato previsto no montante de R$ 98 milhões recebeu em seguida um aditivo de R$ 12,6 milhões.

COM A PALAVRA, O DEPUTADO ROMOALDO JÚNIOR

Em relação a um trecho da delação premida do ex-presidente da Assembleia Legislativa, José Riva, que diz que o deputado Romoaldo Júnior (MDB) indicou ao ex-governador Silval Barbosa, a Empresa Canal Livre Comércio LTDA, como favorecida na licitação da área de Tecnologia da Informação da Arena Pantanal, o parlamentar declara que jamais interferiu no processo de escolha das empresas que, aliás, foi realizado por meio de licitação.

O contrato e a obra da construtora em questão, da qual afirma ser realmente amigo do proprietário, Rodrigo Santiago Frison, foi aprovado pela Controladoria Geral do Estado (CGE).

“A Empresa Canal Livre ganhou a licitação. Não interferi em nada disso, até porque em licitação a gente não interfere”, afirma Romoaldo.“O fato de a gente ter amizade, não pode nos condenar. Eu sempre fui amigo do Rodrigo, mas uma coisa não tem nada a ver com a outra. Foi uma licitação que ele ganhou, tinham outras empresas concorrendo, não teve ilegalidade, ele fez a obra, concluiu. É só investigar”, ponderou o deputado ao afirmar que está a disposição para qualquer esclarecimento.

 

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