Rio elege deputadas quatro mulheres negras amigas de Marielle

Rio elege deputadas quatro mulheres negras amigas de Marielle

Talíria Petrone é a 9.ª federal mais votada no Estado; Renata Souza, Mônica Francisco e Dani Monteiro chegam à Assembleia Legislativa

Caio Faheina, especial para o Estado

08 Outubro 2018 | 17h17

Talíria Perone, Renata Souza, Monica Francisco e Dani Monteiro. Foto: Divulgação/Reprodução Instagram

Ainda um mistério que desafia a polícia e inquieta o Rio, o assassinato da vereadora Marielle Franco, em março, reverberou no resultado das eleições 2018 no Estado. Quatro amigas e ex-assessoras da representante da favela da Maré vão ocupar, agora, três cadeiras na Assembleia Legislativa e uma na Câmara.

Talíria Petrone, Renata Souza, Mônica Francisco e Dani Monteiro, todas pautadas por lutas identitárias, também foram eleitas pelo PSOL – partido de Marielle e que corria o risco de não mais ter acesso ao Fundo Partidário e tempo de rádio e TV na propaganda eleitoral, o que não aconteceu.

Para Talíria, a eleição de mulheres negras, vindas de favelas, é uma resposta política a um ‘crime político’. “As urnas mostraram uma indignação com este momento que vivemos, de retrocesso”.

A parlamentar também aponta uma sub-representação de mulheres negras no Parlamento. “Não somos maioria na Câmara, mas somos a maioria do povo”.

Talíria foi a 9.ª deputada federal mais votada no Estado, somando 107.317 votos válidos, 1,39%). As ativistas Renata (63.937), Mônica (40.631) e Dani (27.982) ocuparam, respectivamente, a 9.ª, 28.ª e 48.ª posições na Assembleia. Afora a enfermeira Rejane, eleita na 39.ª colocação, as três deputadas estaduais ligadas à Marielle foram as únicas a se autodeclararem pretas.

Marielle Franco. Foto: Renan Olaz/CMRJ-21/2/2018

Na Câmara, além de Talíria, somente a deputada federal Rosângela Gomes afirma-se negra. Ela foi eleita com 63.952 dos votos válidos e ficou na 17ª posição.

Após fechamento das urnas, as deputadas estaduais manifestaram-se no Twitter. “Honramos a memória de Marielle Franco. Sou uma das três mulheres negras do PSOL eleita para a Alerj. Nunca mais estaremos sozinhas nos espaços de poder.”, afirma Renata.

“Foi só o começo de algo que a gente já começou há muito tempo, de uma nova política que tentaram silenciar e não conseguiram”, pontua Dani.

Pesquisadora e socióloga, Mônica Francisco, via Instagram, comemorou sua eleição e compartilhou vídeo que comemora, também, a vitória de Erica Malunguinho, primeira mulher trans a ser eleita deputada estadual no País, com 55.223 votos válidos em São Paulo (74ª). “É felicidade que não me cabe! É representatividade que chama!”, enfatiza.

Candidato que destruiu placa de homenagem à Marielle é eleito em 1.º

Eleito em primeiro lugar no ranking de deputados estaduais no Rio, o ex-candidato a vice-prefeito do Rio em 2016, Rodrigo Amorim (PSL), postou foto no Facebook na última semana com placa de rua que homenageia Marielle Franco partida ao meio.

A inscrição fica localizada em uma das esquinas da Praça Floriano, na Cinelândia, próximo à sede da Câmara Municipal. “Preparem-se, esquerdopatas: no que depender de nós, seus dias estão contados”, diz Amorim na publicação. Ele obteve 140.666 dos votos válidos e foi o deputado estadual mais votado.

Wilson Witzel (PSC), primeiro colocado ao Governo do Rio com 41,28% dos votos válidos, e Daniel Silveira (PSL), eleito deputado estadual, estavam ao lado de Rodrigo Amorim durante o ato de campanha em que a placa em homenagem à vereadora Marielle foi quebrada. Witzel vai disputar o segundo turno das eleições 2018 com Eduardo Paes, do DEM.

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