Rio é a nova ‘capital das delações’ da Lava Jato

Rio é a nova ‘capital das delações’ da Lava Jato

Força-tarefa fluminense adota cartilha estratégica usada em Curitiba e avança com novas delações que devem gerar nova onde de escândalos na política nacional

Ricardo Brandt e Julia Affonso

14 Agosto 2017 | 05h00

Adir Assad. Foto: Fábio Motta/Estadão

Com a temporada de delações em queda em Curitiba, o Rio de Janeiro surge como nova capital dos delatores da Lava Jato. A delação do doleiro Álvaro Novis, da Hoya Corretora, que trabalhava para a Odebrecht, é apenas uma das armas que a força-tarefa fluminense têm na manga.

Com base nas estratégias adotadas pela força-tarefa de Curitiba, os procuradores do Rio têm pelo menos 4 importantes negociações em andamento que prometem novas fases de turbulência no mundo político.

Na última semana, a confissão em juízo de crimes de corrupção e lavagem de dinheiro do lobista Adir Assad faz parte desse pacote. Preso desde 2015, ele prestou depoimento ao juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal, no Rio, no dia 9, e confessou ter movimentado R$ 1,7 bilhão em propinas.

O advogado Miguel Pereira Neto, renunciou à defesa de de Adir e seu irmão Samir Assad. Em outras ocasiões, o advogado informou que não participaria de um eventual acordo de delação premiada, que vem sendo tentado pelo operador.

Adir Assad é investigado em várias frentes e desdobramentos da Lava Jato. Ele já foi condenado pelo juiz Sérgio Moro a 9 anos e 10 meses de prisão por lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Procuradores da República do Rio. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Cartilha. A estratégia adotada pelos procuradores da força-tarefa da Lava Jato no Rio é compartilhada com a equipe de Curitiba. As duas equipes estão em constante troca de informações.

Um dos ensinamentos é que quem fecha o acordo primeiro, tem melhores benefícios. E que a busca de acordos com integrantes dos núcleos de operadores financeiros e de agentes públicos, tem sido mais eficiente e produtiva do que os acordos com empresas e, em especial, políticos.

Feitas com base da Lei de Organizações Criminosas, de 2013, em regra, investigadores da força-tarefa listam alguns dos fatores que pesam para que o acordo tenha sucesso: o potencial de expansão das investigações com os fatos revelados, a força das provas apresentadas pelo colaborador, a verossimilhança das informações, a possibilidade de se alcançar o mesmo resultado nas investigações sem o acordo, a atualidade do esquema revelado, o potencial danoso dos crimes revelados, o número e a importância dos agentes implicados na estrutura das organizações criminosas.

 

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