Ricardo Salles pede ao Supremo para depor diretamente a Aras no inquérito da PF que o põe sob suspeita de favorecer contrabando de madeiras da Amazônia

Ricardo Salles pede ao Supremo para depor diretamente a Aras no inquérito da PF que o põe sob suspeita de favorecer contrabando de madeiras da Amazônia

Defesa do ministro do Meio Ambiente diz que depoimento vai contribuir para que 'os fatos sob investigação possam ser cabalmente esclarecidos o mais rápido possível'

Rayssa Motta e Fausto Macedo

01 de junho de 2021 | 20h32

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, pediu nesta terça-feira, 1º, ao Supremo Tribunal Federal (STF) para ser ouvido na investigação da Polícia Federal sobre a participação de agentes públicos na exportação ilegal de madeira, que gerou busca e apreensão contra ele há duas semanas. O relator do caso é o ministro Alexandre de Moraes.

A defesa de Salles diz que o depoimento vai contribuir para que ‘os fatos sob investigação possam ser cabalmente esclarecidos o mais rápido possível’. A PF apontou ‘fortes indícios’ de envolvimento do ministro na facilitação ao contrabando de madeira, incluindo operações financeiras ‘suspeitas’ envolvendo o escritório de advocacia dele em São Paulo. Ele nega irregularidades.

O ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles. Foto: Nilton Fukuda/Estadão

Os advogados Roberto Podval e Daniel Romeiro, que representam Salles no caso, pediram que o interrogatório seja conduzido pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, e por um representante da Polícia Federal. A operação que atingiu Salles foi autorizada por Moraes a pedido da PF, mas sem o aval da PGR, como de praxe, o que causou mal-estar com o órgão. Desde então, a Procuradoria tenta tirar o ministro do STF da investigação e transferi-la para as mãos da colega Cármen Lúcia, que já é relatora de uma ação conexa: a denúncia do delegado Alexandre Saraiva, ex-chefe da Polícia Federal no Amazonas, de que Salles obstruiu a maior investigação ambiental em favor de quadrilhas de madeireiros. Ontem o vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques de Medeiros, pediu a abertura de inquérito para investigar o caso.

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