RH do futuro: menos burocracia e mais estratégia

RH do futuro: menos burocracia e mais estratégia

Richard Vasconcelos*

29 de maio de 2021 | 04h00

Richard Vasconcelos. FOTO: DIVULGAÇÃO

Há tempos que o setor de Recursos Humanos deixou de ser apenas encarregado de realizar o recrutamento e seleção de candidatos, bem como funções administrativas do dia a dia. Hoje trata-se de um departamento que exige uma capacidade estratégica muito mais acentuada. É preciso que a área esteja totalmente inserida no negócio da organização e exerça um olhar mais humanizado para que as empresas mantenham sua relevância e competitividade junto ao mercado de maneira moderna e inclusiva.

Recentemente em conversa com o Chief Human Resources Officer da Minerva Foods, Adriano Lima, concordamos que as empresas sem o costume de valorizar e reconhecer os colaboradores tendem a ficar cada vez mais ultrapassadas. Isso acontece porque a maioria das organizações já entenderam a importância de gerir pessoas, reter talentos e promover funcionários de forma efetiva. Desta forma, conseguem contar com um RH mais estratégico, capaz de trazer maior proximidade da área com o negócio, além de apoiar no cumprimento dos resultados.

Neste conceito de Gente & Gestão, o RH basicamente deixa de ter a função de departamento pessoal e assume a posição de braço direito na tomada de decisão das organizações, administrando e contribuindo para o plano de carreira de cada colaborador. Desta forma, é possível gerar mais produtividade e transmitir confiança para toda a equipe.

A pandemia provocou uma forte capacidade de adaptação da área. Muitos profissionais do setor conseguiram mostrar a importância de adotar a metodologia do RH Estratégico. Tudo porque foi imprescindível repensar em um novo formato de trabalho e criar um plano para cuidar dos colaboradores, fator neste momento de maior importância do que apenas os resultados em si. Desta maneira, foi preciso buscar os processos ideais para uma reestruturação ágil. Em resumo, esses profissionais tiveram que ficar mais próximos dos colaboradores, aprender e entender a importância do trabalho remoto, encontrar meios de inserir a produtividade de modo que não afetasse a saúde mental de todos.

Podemos dizer que esse já é um bom avanço para o RH do Futuro. Também vale ressaltar que neste período diversas empresas olharam mais para os seus funcionários e entenderam a importância do capital humano. Não se trata apenas de oferecer alta remuneração e cargos de alta liderança, mas entender que os colaboradores precisam de cuidados e que a companhia é responsável pelo bem-estar físico, mental e emocional dos seus todos.

Felizmente, esse movimento tem sido recorrente nas médias e grandes organizações. Muitas delas estão apostando em programas e ações que prezam pelo valor humano. Quando falamos de bem-estar físico, o cuidado está desde o local onde o funcionário está fazendo o teletrabalho, como mesa, cadeira, equipamentos eletrônicos e até mesmo um auxílio adicional para internet, luz e água. Outras fazem até mais e enviam cestas básicas às residências de todos os colaboradores.

Já em relação ao bem-estar mental e emocional, os projetos podem variar de uma consulta com um psicólogo clínico custeado pela empresa, rodada de conversa virtual para eventuais dificuldades ou auxílio aos colegas, até mesmo programas de meditação, palestras de mindfulness, aulas de ioga e ginástica laboral. Outras ações interessantes de serem aplicadas são reuniões mais curtas, descansos prolongados (semana de folga) para preservação da saúde mental, além do bloqueio de agendas para reuniões durante o horário de almoço.

A verdade é que o mercado corporativo tem diversos programas e ações que podem ser adotadas em seu dia a dia. O desafio é adequar esses projetos aos valores da empresa e entender a importância dos profissionais de RH para que a atuação da gestão de pessoas se torne cada vez mais estratégica. Neste momento, é imprescindível que a área possua um olhar analítico e com o foco direcionado para o crescimento. Essa é a tendência, esse é o futuro.

*Richard Vasconcelos, CEO da LEO Learning Brasil

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