‘Reunião não teve nada de mais’, diz Mourão sobre encontro citado por Moro em depoimento

‘Reunião não teve nada de mais’, diz Mourão sobre encontro citado por Moro em depoimento

Vice-presidente afirmou que Bolsonaro 'já tomou as providências para entregar o vídeo que está sendo requerido'; gravação foi mencionada pelo ex-ministro da Justiça como ocasião em que foi pressionado a trocar o comando da Polícia Federal

Marlla Sabino/BRASÍLIA

08 de maio de 2020 | 18h36

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, disse nesta sexta-feira, 8, que ‘não teve nada de mais’ na reunião em que, segundo o ex-ministro Sérgio Moro, o presidente Jair Bolsonaro teria cobrado a troca no comando da Polícia Federal e acesso a relatórios de inteligência. O encontro, no dia 22 de abril, no Palácio do Planalto, reuniu ministros e presidentes de bancos públicos.

O encontro foi citado pelo ex-ministro como o momento em que o presidente teria ameaçado demiti-lo caso se recusasse a trocar o comando da Polícia Federal. Após Moro citar o encontro no depoimento, o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), requisitou a cópia da íntegra do vídeo da reunião.

O vice-presidente Hamilton Mourão participa de reunião ministerial ao lado do presidente Jair Bolsonaro, o então ministro Sérgio Moro e o ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto, no dia 22 de abril. Foto: Marcos Corrêa/PR

“A reunião do dia 22 de abril não teve nada de mais e o presidente, eu acho, já tomou as providências para entregar o vídeo que está sendo requerido”, disse Mourão após deixar o Ministério da Defesa na tarde desta sexta.

Na noite de quarta-feira, 6, o governo pediu que Celso de Mello reconsiderasse o pedido do vídeo por se tratar de “assuntos sensíveis de Estado.” Conforme o Estadão informou, o Planalto também cogitou alegar não ter o conteúdo na íntegra mas apenas trechos da reunião, pois as gravações são “pontuais e curtas”.

Na quinta, 7, a defesa do governo pediu para enviar somente trechos do vídeo e, nesta sexta, pediu pra saber quem teria acesso à gravação quando as imagens fossem enviadas à Corte.

Nesta sexta-feira, 8, Celso de Mello deu prazo de 24 horas para o procurador-geral da República, Augusto Aras, se manifestar sobre os três pedidos de reconsideração apresentados pela AGU contra a entrega do vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril.

Como revelou o Estadão, o encontro do dia 22 foi marcado por palavrões, briga de ministros, anúncio de distribuição de cargos para o Centrão e ameaça do presidente de demissão “generalizada” a quem não adotasse a defesa das pautas do governo.

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