Retomada pós-covid-19 requer sensibilidade e atenção

Retomada pós-covid-19 requer sensibilidade e atenção

Lisia Prado*

17 de setembro de 2020 | 05h30

Lisia Prado. FOTO: DIVULGAÇÃO

O Brasil ainda segue como um dos líderes mundiais em casos confirmados e mortes pelo Coronavírus. O título é triste, porém a diminuição no número de novos casos está fazendo com que muitas empresas, principalmente as que estão instaladas em escritórios, pensem em retomar suas atividades presenciais.

A pandemia do COVID-19 e suas consequências serão um dos maiores desafios de negócios de nosso tempo. A economia nacional tem sofrido as consequências do isolamento social e o home office tornou-se o novo normal de uma hora para outra.

Só o fato de colocar todos (ou grande parte) dos colaboradores para trabalhar em casa já deve ter sido um grande esforço, mesmo que a empresa já tivesse essa política antes. Agora o desafio será ainda maior, uma responsabilidade de sustenta e de conduzir a empresa durante a volta do trabalho presencial.

A partir de uma perspectiva de negócios, proteger o bem-estar dos colaboradores é fundamental, porque nenhum plano para retomar as operações normais pode ter sucesso sem eles. Todos os membros do time contam com a sua organização para ajudá-los a voltar ao trabalho com segurança física e emocional.

Será necessário pensar em novos protocolos e diretrizes para o uso de equipamentos de proteção individual, como máscaras e luvas. Isso sem dizer da verificação da temperatura corporal antes de entrar no local de trabalho e o estabelecimento de regras de volta ao trabalho caso haja algum caso. Algumas empresas estão até pensando em adotar guarda-volumes para os colaboradores colocarem os seus sapatos e calçarem pantufas. E se, por acaso, esta iniciativa trouxer maior conforto mental e diminuição do estresse, causado pelo medo de contaminação, será uma prática adotada. Medidas, como esta, estão sendo avaliadas por parte dos RHs.

O que é preciso ter em mente, em primeiro lugar, é que a saúde e a segurança da força de trabalho devem ser a principal prioridade. Elas são obviamente, uma preocupação moral, ética e legal.

Segundo a International Stress Management Association, a Síndrome de Burnout (conhecida também como Síndrome do esgotamento social), afeta 33 milhões de brasileiros. Inclusive no home office, já que tudo que envolve o funcionamento de uma casa pode influir no processo.

Os números já se apresentam altos e os consultórios psiquiátricos estão com filas de espera para atendimento. O medo de voltar ao trabalho ou a insegurança emocional são os principais motivos para a procura de ajuda médica.

É preciso garantir que, quando a volta acontecer, haverá, principalmente, estabilidade emocional. Afinal, ninguém dará o seu melhor se estiver estressado e com medo de trabalhar em um local fechado com outras pessoas.

De que maneira então preservar os colaboradores e certificar que a saúde mental deles está pronta para a volta ao trabalho presencial?

Em primeiro lugar, antes de tudo, é preciso sensibilidade. Sem a adesão dos colaboradores, mesmo os melhores planos provavelmente terão problemas. Será necessário empatia e demonstrar a compreensão de que, embora todos estejam passando pela mesma situação, não foi da mesma maneira.

Alguns podem ter condições complicadoras que aumentam o risco de contágio e ficar relutantes em retornar ao escritório. Outros estarem ansiosos para deixar o trabalho remoto para trás, mas têm responsabilidades (cuidar dos filhos que estão em casa sem aulas, por exemplo), tornando difícil ou impossível a volta.

Atenção para cada caso é de suma importância. Mas como descobrir as reais necessidades de cada um? A melhor maneira é fazendo uma pesquisa de opinião identificada por e-mail ou formulário online. Deixe claro que o conteúdo é sigiloso e pergunte sobre como o colaborador se sente e suas expectativas para a volta ao trabalho, entre outras questões específicas.

Esteja aberto para receber todos os tipos de respostas, levando-as a sério. Elas serão um termômetro para definir uma estratégia de comunicação que guiará todo o processo até a volta presencial e envolverá tanto quem estará presente fisicamente no escritório como quem continuará em casa.

Tornar os desafios e preocupações conhecidos pode ajudar na identificação de problemas com seus planos de retorno ao local de trabalho. Ao permitir uma comunicação real e bidirecional, será possível transformar a crise em uma oportunidade de fortalecer a cultura corporativa, aumentar o envolvimento, produtividade e a lealdade a longo prazo.

Nada mais será igual daqui em diante. Não pense como um retorno ao velho normal, mas sim como o começo de uma nova era!

*Lisia Prado é sócia da House of Feelings

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