Retomada econômica exige digitalização para conexão da cadeia da indústria da moda

Retomada econômica exige digitalização para conexão da cadeia da indústria da moda

Ludmilla Fonseca*

30 de outubro de 2020 | 03h00

Ludmilla Fonseca. FOTO: DIVULGAÇÃO

Assim como vivemos uma mudança diária no mundo dos negócios, por conta da agilidade proporcionada pelo atual cenário de conectividade em que estamos inseridos, as características comportamentais das pessoas também foram afetadas pelo mundo digital. Dentro deste contexto, se as mentes dos clientes são alimentadas pelas redes sociais, as empresas hoje só funcionam de forma competitiva quando também observam o que o cliente tem consumido na internet.

Essa já era uma realidade antes de março de 2020. No entanto, hoje, após uma pandemia que alterou a economia e a saúde pública, o assunto consumo na moda ganhou um espaço que pede ainda mais reflexão e estratégia.

E quando falamos de estratégia devemos pensar em conectividade não apenas na venda final, mas em toda a cadeia da indústria da moda, que hoje sofre para manter uma rotina de entregas e abastecimento devido ao cenário de pandemia.

Estratégia: networking & valores

Junto a essa preocupação com produção, insumos e mão de obra, temos também a questão de valores, já que diante de uma crise, a moda acaba não se tornando uma prioridade entre os consumidores. Neste momento a autenticidade, a sustentabilidade, a versatilidade e a economia, que já eram pontos em pauta antes, ganham ainda mais consideração em um plano de ação no universo da moda. Quando entramos neste quesito, os microempreendedores ganham destaque por trazerem mais criatividade e inovação em suas produções.

A verdade é que o microempreendedor já estava no mercado cavando um espaço fora do óbvio, seja com produções totalmente autênticas, com variedade de matérias-primas, uma comunicação muito mais simples e amigável que as grandes vitrines nacionais ou internacionais, ou por meio de uma oferta muito mais atraente para consumidores que miram diretamente em custos mais baixos.

Toda essa expertise pode ser vista hoje nas centenas de lojas online que nascem nas redes sociais – mesmo neste cenário de crise – seja com revenda ou por meio de produções próprias. É com este olhar que a moda também tem contribuído para gerar renda para as PMEs. E ao ver o crescimento desses empresários, as grandes companhias do universo da moda também tiram grandes lições e se adequam para conseguir atravessar um ano tão difícil como tem sido esse 2020.

Mas como conectar a cadeia da moda?

Mais do que nunca precisamos colocar em contato – ainda que virtualmente –  quem tem matérias-primas com aqueles que precisam de insumos para produzir e vender. Um desafio que pode ser driblado quando há o desenvolvimento de um networking de valor, com o apoio de processos digitais que facilitem a interação entre todas as pontas: profissionais, indústria, marcas de moda, lojistas, empresas que desenvolvem máquinas, etc. Todos esses canais precisam estar cada vez mais próximos para um novo momento que sempre surge após uma crise.

Por esta razão é hora de se preparar para gerar confiança e entregar com agilidade o melhor da proposta do seu negócio. Nesta hora vale investir em uma rede de fornecedores e especialistas de confiança, com quem desde já você deve efetivar um bom relacionamento, mantendo esse movimento uma rotina contínua para a sua empresa.

A moda tem seu papel na crise, especialmente quando abraça tantos profissionais inovadores em busca de uma recolocação no mercado. É também para este público que eu trabalho hoje, promovendo uma integração efetiva para gerar novas possibilidades, conectando moda e novos negócios – sejam eles pequenos, médios ou grandes –  em uma única jornada: a da oportunidade.

*Ludmilla Fonseca, fundadora da Trender

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