Resta Um aponta R$ 2,4 mi em propina para comitê de campanha de Lula em 2006

Resta Um aponta R$ 2,4 mi em propina para comitê de campanha de Lula em 2006

Desdobramento da Lava Jato cita José de Filippi Júnior, ex tesoureiro do petista que, naquele ano, alcançou a reeleição ao Palácio do Planalto

Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Mateus Coutinho e Julia Affonso

02 de agosto de 2016 | 14h01

José de Filippi. Foto: Nilton Fukuda/Estadão

José de Filippi. Foto: Nilton Fukuda/Estadão

A Operação Resta Um, 33.ª fase da Lava Jato, cita suposto repasse de valores via caixa 2 da Queiroz Galvão, via Consórcio Quip – do qual a empreiteira era a majoritária – , para a campanha da reeleição do ex-presidente Lula, em 2006. A informação foi divulgada pela força-tarefa do Ministério Público Federal e da Polícia Federal nesta terça-feira, 2. Os investigadores citam o ex-tesoureiro da campanha de Lula à reeleição em 2006, José de Filippi Júnior, que teria captado R$ 2,4 milhões naquele ano.

Na decisão que autoriza Resta Um, o juiz federal Sérgio Moro destaca trecho da delação do empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC Engenharia – ‘descreveu como os valores foram repassados a José de Filippi Júnior, então tesoureiro da campanha eleitoral de 2006 do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva’.

O relato do empreiteiro foi confirmado por Walmir Pinheiro Santana, diretor financeiro da UTC, que também fez delação premiada.

Resta Um foi deflagrada nesta terça-feira, 2, e culminou com a prisão de dois executivos ligados à Queiroz Galvão, Ildefonso Colares e Othon Zanóide – ambos foram presos em caráter preventivo, por ordem do juiz federal Sérgio Moro.

Ao deflagrar Resta Um, o juiz federal Sérgio Moro destacou o suposto repasse recursos ilícitos para a campanha de Lula, há dez anos. “O montante entregue teria sido de R$ 2,4 milhões em espécie, Os valores chegavam à Walmir Pinheiro Santana via portador da Quip (consórcio) e eram entregues por ele ou pelo próprio Ricardo Ribeiro Pessoa diretamente a José de Filippi Júnior no cômite de campanha do ex-presidente.”

Ricardo Pessoa ainda revelou, em outro depoimento, o repasse de propinas pelo Consórcio Quip diretamente ao PT.

O juiz da Lava Jato transcreveu trechos do relato do empreiteiro:

“”Que Filippi, na condição de tesoureiro, recebeu R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais) destinados pelo consórcio Quip, responsável pela obra da Plataforma P53 da Petrobrás, à campanha de Lula à Presidência da República em 2006; Que tal doação foi feita de forma não oficial, tendo sido entregue em dinheiro pelo declarante e por Walmir Pinheiro, do setor financeiro da UTC, diretamente a Filippi; Que Filippi solicitou que a contribuição fosse feita em espécie? Que, pelo que o declarante se recorda, quando Filippi solicitou tal doação à campanha de Lula em 2006, Filippi era prefeito de Diadema/SP? Que a solicitação da contribuição em referência não chegou diretamente à UTC, tendo sido feita à Quip, consórcio encarregado da construção da P53, formado pela Queiroz Galvão, pela UTC, pela IESA e pela Camargo Corrêa? Que a solicitação foi feita diretamente a alguém da Queiroz Galvão, que era a líder do consórcio, inclusive com a maior participação? Que o declarante não sabe a quem especificamente a solicitação foi feita no âmbito da Queiroz Galvão? Que o atendimento da solicitação foi aprovado pelo conselho da Quip, em uma reunião entre o declarante (UTC), Ildefonso Colares (Queiroz Galvão), Valdir Carreiro (IESA) e Camerato (Camargo Corrêa).”

COM A PALAVRA, A QUEIROZ GALVÃO

COMUNICADO À IMPRENSA

A Construtora Queiroz Galvão informa que, na manhã de hoje, a Polícia Federal realizou uma operação de busca e apreensão em algumas de suas unidades. Alguns ex-executivos e colaboradores foram alvos de medidas cautelares. A empresa está cooperando com as autoridades e franqueando acesso às informações solicitadas.

Construtora Queiroz Galvão

COM A PALAVRA, O PT:

“O PT refuta as ilações apresentadas. Todas as operações financeiras do partido foram realizadas estritamente dentro dos parâmetros legais e posteriormente declaradas à Justiça Eleitoral.”

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