‘Respeite o Juízo’

‘Respeite o Juízo’

Interrompido seguidas vezes por advogados durante depoimento do ex-presidente da Petrobrás, juiz da Lava Jato Sérgio Moro recomenda cautela

Redação

14 de fevereiro de 2017 | 08h30

gabriellimoro

Atualizado às 13h31

Advogados e o juiz Sérgio Moro protagonizaram mais um embate na audiência realizada nesta segunda-feira, 13, para ouvir o ex-presidente da Petrobrás José Sérgio Gabrielli, na ação penal contra o ex-presidente Lula no caso triplex. Ao final da audiência, quando Moro indagava Gabrielli sobre a nomeação de Jorge Luiz Zelada para a diretoria Internacional da Petrobrás em substituição de Nestor Cerveró, um dos advogados de Lula afirmou que o juiz estaria atuando como “inquisidor”.

O juiz da Lava Jato perguntou várias vezes para Gabrielli, que era representante do Conselho de Administração da Petrobrás na época, se ele tinha conhecimento do motivo que levou à troca.

“O sr. sabia que era uma solicitação do PMDB ao governo?”, indagou Moro.

“Pela imprensa, mas o Conselho nunca tinha discutido isso”, disse Gabrielli, seguido pela interrupção dos advogados. “Vossa excelência está insistindo. É a quinta pergunta, ele já respondeu”, afirmaram os advogados.

“Eu estou fazendo minhas perguntas”, disse Moro, lembrando que a defesa e a acusação haviam feito indagações antes. “Mas suas perguntas são as perguntas de um inquisidor e não de um juiz”, rebateu um dos advogados de Lula.

“Doutor respeite o juizo”, disse Moro. “Vossa excelência respeite então a ordem processual”, retrucou o advogado ao que foi repreendido novamente por Moro. “Respeite o juizo, doutor”.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO CRISTIANO ZANIN MARTINS, DEFENSOR DE LULA:

“Seu texto sobre a audiência realizada em 13/2 na 13a. Vara Federal Criminal de Curitiba não corresponde à realidade dos fatos.

Foram omitidos depoimentos colhidos naquela data, que desmontam a tese de que o apartamento “triplex” pertenceria ao ex-Presidente Lula – como foi o caso dos depoimentos prestados pelo advogado Adriano Claudio Pires Ribeiro e pelo engenheiro Daniel Gonzales . Você também retratou incorretamente a impugnação feita pelos advogados em relação à insistência do juiz em formular a mesma pergunta à testemunha diversas vezes – como se buscasse a alteração do posicionamento do depoente.

Ao contrario do que disse, não foram os “advogados de Lula que voltaram a discutir com o juiz”. As vozes levadas ao ar são de outros advogados presentes na audiência, que representam outros réus. Apenas a frase “as suas perguntas são perguntas de um inquisidor e não de um juiz” foi emitida por um dos advogados do ex-Presidente Lula.”

Cristiano Zanin Martins

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