Resiliência é o segredo de o mercado pet se manter em alta

Resiliência é o segredo de o mercado pet se manter em alta

Thadeu Diz*

30 de junho de 2020 | 04h00

Thadeu Diz. FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Não é de hoje que o mercado pet tem atraído cada vez mais a atenção dos empresários. Os bichos já não fazem apenas a alegria de seus donos, mas cada vez mais tem garantido que o setor se mantenha em constante ascensão, inclusive em tempos de crise. Como exemplos dos cenários de 2001 e 2008, nos quais a economia mundial foi afetada de forma expressiva, pudemos observar que o setor de produtos e serviços para os pets foi resiliente e conseguiu contornar os efeitos negativos, se mantendo em alta e inovando com lançamentos cada vez mais diferenciados e um leque de ofertas para o segmento.

No histórico de grande parte desses momentos de instabilidade na economia, algumas razões justificam o mercado pet não parar. Existem muitos estudos que mostram que ter animais em casa contribui para o equilíbrio do lar, sendo um importante pilar contra depressão, tristeza e ansiedade, e geralmente essas emoções que vem à tona quando as pessoas estão vivendo momentos de crise. Então, é normal que as pessoas abram mão de muitos outros gastos supérfluos, para destinarem as suas economias para os bichos, que trazem alegria e bem-estar para elas.

Colocando a discussão para no cenário atual, o mercado pet está sendo considerado serviço essencial, como o de alimentação. Sendo assim, o setor disparou desde o início da pandemia em cerca de 30%, de acordo com a associação do setor Abinpet. É quase o mesmo nível de crescimento de produtos de saúde, os mais requisitados do momento, e mais do que alimentos e bebidas. O fato das empresas do segmento não precisaram fechar as portas fez com que muitos empreendedores olhassem com bons olhos para o setor. Apenas na última década, o salto do segmento foi de 66%, Segundo a Euromonitor International, e ainda há muita evolução para os próximos anos. Prova disso são os números do Brasil. De acordo com o IBGE, existem mais de 139 milhões de animais de estimação no país, que é o segundo maior mercado do mundo.

Mas o que faz esse segmento brilhar os olhos dos empresários? Por trás dos pets, há donos ávidos por novidades, o que resulta em um segmento aquecido, que deve atingir um faturamento de cerca de R$ 40 bilhões em 2020. A demanda dos brasileiros por produtos e serviços é tão grande, que só fica atrás dos EUA. A compra de itens para os pets é derivada de emoção, não é supérflua, e é necessária, uma vez que eles são considerados integrantes das famílias. Por isso, mesmo durante as crises econômicas, comprar produtos para os bichos é não é algo dispensável.

E a tendência é que este hábito de consumo só cresça nos próximos anos. Podemos vislumbrar um setor cada vez mais sustentável e voltado à melhora na qualidade dos produtos, além do investimento de empresas em alimentação, com opções mais saudáveis. Aquisições e consolidação entre grupos, marcas e indústria também podem crescer, e será um mercado que irá chamar ainda mais a atenção de investidores e incentivos financeiros. A Euromonitor projeta uma expansão anual das vendas do setor acima de 15% até 2024, o dobro da média global no período. O motivo é simples: mais lares deverão ganhar um pet.

*Thadeu Diz, cofundador e diretor criativo da Zee.Dog

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