República federativa da cortina de fumaça

República federativa da cortina de fumaça

Zeca Dirceu*

31 de agosto de 2021 | 03h15

Zeca Dirceu. FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Negação, mentiras, teorias absurdas e sem comprovação, fake news e polêmicas. Esses são todos os ingredientes do famoso termo “Cortina de Fumaça”, uma estratégia muito usada por aqueles que querem propagar a desinformação, e de forma muito consciente, desviar o foco dos assuntos que realmente interessam e mexem com a vida da população.

Desde 2018, com a famigerada eleição de Jair Bolsonaro, o Brasil vem se tornando a República Federativa da Cortina de Fumaça. Exemplos não faltam para evidenciar como o presidente usa dessa artimanha para desviar a atenção da população e da imprensa no tocante aquilo que realmente interessa.

Na primeira semana de depoimentos da CPI da Covid, por exemplo, quando as notícias sobre o superfaturamento na compra da vacina Covaxin estouraram, o presidente desferiu inúmeros ataques à China, ameaçou editar um decreto contra as medidas de enfrentamento à Covid adotadas por governadores e prefeitos, além de desferir ameaças e recados contra o Superior Tribunal Federal. Em outra ocasião, criticou as mortes por Covid, dizendo que eram mimimi e frescura para criar outra cortina de fumaça em relação a compra milionária (com indícios de superfaturamento) da mansão de Flávio Bolsonaro.

Mais recentemente, Bolsonaro incitou as Forças Armadas a realizarem um desfile patético, com meia dúzia de tanques de guerra antigos e ultrapassados. Um vexame mundial que virou manchete em um dos jornais mais aclamados do mundo, o britânico The Guardian, sendo chamado de “o desfile da República dos Bananas”. Agora, o presidente se dedica a incitar e convocar seus apoiadores para um ato extremista e violento no dia 7 de setembro, Dia da Independência do Brasil.

A pauta da manifestação passa por inúmeros absurdos e polêmicas criadas por Bolsonaro para confundir e enganar o povo: voto impresso (já derrubado pela Câmara dos Deputados há algumas semanas), impeachment e ataque aos ministros do STF, e por fim, ameaças contra o Congresso Nacional e a Democracia. Ou seja, nada que ajude, beneficie ou pense no povo.

A população brasileira se pergunta todos os dias quando é que o governo federal vai, de fato, se ocupar prioritariamente com os temas que mexem e impactam a vida do povo. As cortinas de fumaça de Bolsonaro tentam esconder o fracasso econômico de seu governo, com quase 15 milhões de desempregados, outros milhões em condições precárias de trabalho ou subutilização.

Atualmente mais de 19 milhões de brasileiros passam fome no Brasil, com a volta da extrema pobreza, sem falar que não existem mais políticas de valorização do salário-mínimo e o custo de vida que está nas alturas. Além de tudo isso, não esqueçamos os quase 600 mil mortos pelo descaso e negação da pandemia. Mortes poderiam ocorrer, mas com uma política de enfretamento sério, muitas delas poderiam ter sido evitadas.

As pesquisas já mostram que o brasileiro está descontente com os devaneios de Bolsonaro. Segundo pesquisado instituto PoderData, 64% da população rejeita o presidente. Daí a pressa e a necessidade dele incitar a violência e o golpe contra a democracia.

Desafio hoje, a quem ler esse artigo, mostrar algo de relevante que Bolsonaro tenha feito para o povo brasileiro nesses 2 anos e 8 meses de mandato. Será uma dura missão, pois nada foi feito. A nós, nos resta reagir, denunciar e ter firmeza para enfrentar as políticas ditatoriais e autoritárias de Bolsonaro. Não podemos perder o foco. Nossa prioridade é a vida das pessoas, é enfrentar a fome e o desemprego.

*Zeca Dirceu é deputado federal do Paraná pelo Partido dos Trabalhadores e vice-líder da Minoria na Câmara dos Deputados

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