Representatividade da mulher negra

Representatividade da mulher negra

Paulo Sergio Gonçalves*

25 de julho de 2021 | 06h00

Paulo Sergio Gonçalves. FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Representando mais de 50% da população brasileira, os negros ainda sofrem as consequências da abolição tardia e equivocada que aconteceu no Brasil. Por isso, podemos afirmar que a verdadeira abolição (cultural e epistemológica) ainda não aconteceu por completo. Isto tudo quando falamos a população negra de um modo geral, entretanto, tais consequências são ampliadas quando falamos da mulher negra.

Sendo assim, o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e caribenha não é um dia de comemoração, assim como outras datas que se referem à mulher e aos negros, a data é de reflexão, de discussão e de conscientização. É um momento para renovar as forças para continuar a resistir numa sociedade tantas vezes racista e misógina. No Brasil, a data também significa o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, o que aumenta ainda mais o compromisso e a responsabilidade da data.

Num país onde se observa que a mulher negra se encontra na ponta mais baixa do escalonamento social, é necessário que se use este dia para levantamentos e questionamentos acerca da posição da mulher negra dentro da sociedade, sendo a que menos tem oportunidade de estudar, a que mais sofre violência doméstica e obstétrica e a que mais trabalha informalmente.

Mas a data não é apenas para reflexões acerca da subserviência, mas sim, principalmente, para dar visibilidade para as grandes mulheres negras que resistiram e abriram caminho em vários setores deste país, na educação, na pesquisa, na literatura, na filosofia, na música, na arte e em tantos outros espaços.

A necessidade de mostrar para as jovens negras e às meninas negras que existem referências positivas para serem seguidas é urgente. Mulheres como Lélia Gonzales, Ruth de Souza, Djamila Ribeiro, Carolina Maria de Jesus, Elza Soares e Conceição Evaristo são nomes importantes de representatividade.

Em outros espaços, como na educação, mulheres como a Professora Doutora Laura Cavalcante Padilha, da Universidade Federal Fluminense, mostram a força da intelectualidade feminina negra, quando é uma das grandes pesquisadoras de Literatura deste país, reconhecida mundialmente por seus estudos e escritos.

Outro nome importante é da Professora Doutora Aparecida de Jesus Ferreira, da Universidade Estadual de Ponta Grossa, no Paraná, que se destaca por sua dedicação, pesquisa e escritos sobre as relações étnico-raciais na educação. Tais nomes são suficientes para entendermos que os tempos de submissão feminina e de opressão acabaram. Uma nova perspectiva levantada pela resiliência da mulher negra é observada a partir de agora.

*Paulo Sergio Gonçalves, coordenador do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Estácio

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