Rentabilidade e suporte ao negócio: foco dos executivos de finanças em 2019

Alexandre Benedetti*

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Alexandre Benedetti. FOTO: DIVULGAÇÃO

O Brasil está à espera de uma indicação positiva do governo em relação à reforma da Previdência para retomar seu crescimento e o volume de recrutamento das carreiras executivas, que estão diretamente ligadas à elevação do PIB. Aparentemente, o sinal verde para a recuperação econômica será sentido no segundo semestre e a expectativa é que este ano o País atinja entre 2% e 2,3% de crescimento no PIB, mostrando recuperação após encerrar 2018 com decepcionante crescimento de 1,1%. Diante do cenário brasileiro, os profissionais de finanças a serem mais demandados este ano seguem alguns aspectos do perfil procurado em 2018, ainda centrado em questões internas e que possa apoiar o negócio na busca por uma maior rentabilidade e competitividade.

As contratações das áreas de finanças também são afetadas pela conjuntura econômica brasileira assim como em outros setores, já que não somente o volume de vagas apresenta variação dependendo da economia, mas o perfil dos executivos também é modificado de acordo com o momento do País. Se observarmos o perfil do executivo nos anos anteriores, percebemos variações significativas naqueles que são mais demandados pelo mercado.

Em momentos de maior estabilidade e crescimento, notamos um tipo de executivo e durante a crise, um perfil bastante diverso. No primeiro, as empresas tendem a buscar executivos com experiência em expansão, novos negócios e abertura de capital, enquanto que em situações de retração observamos a procura por profissionais com sólida base em controladoria e que possam fazer reestruturações visando maior produtividade e economia para a organização.

Um levantamento realizado pela Talenses, em parceria com o IBEF-SP, com líderes de finanças, apontou que os executivos consideram menos importante atualmente, a capacidade de assumir riscos, demonstrando um cenário mais conservador de atuação dentro das organizações. A pesquisa também revelou que a integridade é a competência mais importante para estes executivos, seguida de foco em resultados, visão estratégica e aptidão para negociação e comunicação.

Portanto, mais do que pensar em quem contratar para o cargo de CFO ou diretor financeiro, a grande pergunta das empresas hoje em dia deve ser: Para que contratar? O objetivo da contratação deve estar bem claro durante todo o processo, ainda mais em tempos de recessão e pós-recessão, em que os movimentos internos precisam ser muito bem calculados.

Atualmente, o que conta para o mercado são executivos que possuam bom conhecimento contábil e fiscal, experiência em gestão e planejamento de caixa, além de planejamento e controle financeiro com suporte ao negócio. Outro aspecto que soma pontos às carreiras de C-level em finanças é a possibilidade de o executivo ajudar na viabilidade de projetos e oportunidades que levem a um crescimento marginal, ainda que sem grandes investimentos da empresa.

Por outro lado, os profissionais que estão muito orientados para M&A, relação com investidores e captação de recursos financeiros, principalmente nos setores de infraestrutura e bens de capital, por exemplo, não são os mais requeridos neste momento. Isso ocorre porque as empresas que estão contratando são as de ciclos de produtos curtos, em geral ligadas a bens de consumo como alimentos, bebidas, produtos eletrônicos, vestuário, além de indústrias que possuem histórico de maior volume de contratações como farmacêuticas, serviços financeiros e digital.

O momento é de avaliação de características comportamentais e não apenas de competências técnicas. Portanto, as empresas procuram por um executivo de finanças de suporte estratégico e viabilizador de negócio com capacidade de traduzir para a organização os interesses dos acionistas e que tenha condições de fazer o uso correto de tecnologias transformadoras e soluções analíticas, harmonizando os papéis entre homem e máquina, além de garantir a transparência e acuracidade na informação gerencial, comunicando os impactos no negócio aos stakeholders (internos e externos).

Com todos os índices apontando para o crescimento do PIB no segundo semestre, a tendência é observarmos um aumento no número de vagas ao longo do ano, principalmente para executivos com experiência em alavancar o negócio, ainda que com estruturas enxutas. Da mesma forma, o mercado acena com mais positividade aos executivos com maior grau de senioridade, que haviam sido substituídos por profissionais menos seniores por conta da diminuição de receita das organizações nos primeiros anos de recessão. Trata-se de uma troca de perfil com o objetivo de adequar as empresas aos seus próximos passos e expectativas.

*Alexandre Benedetti, diretor da divisão de Finanças da Talenses

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