Renda fixa – como investir?

Gabriel Moura*

31 de dezembro de 2019 | 06h00

A renda fixa é uma das formas mais tradicionais de se investir no mercado financeiro, principalmente, para os investidores que buscam por segurança e estabilidade. Para iniciantes é a maneira mais indicada de abrir uma composição de carteira. O nome renda fixa dá-se diante da previsibilidade dos investimentos.

Uma renda fixa pode ser emitida por diferentes instituições financeiras, seja de caráter público ou privado. Provavelmente, o investimento mais conhecido e menos rentável, seja a poupança. Além da poupança, temos o Certificado de Depósito Bancário (CDB), as Letras de Crédito Imobiliário e Agronegócio (LCI/LCA), o Tesouro direto e também os créditos privados como CRI/CRA e debêntures.

A renda fixa funciona como um empréstimo do recurso para o emissor em troca de uma taxa de remuneração, que pode ser pré ou pós-fixada. Quando a taxa é pós-fixada, ela está atrelada a um fator indexador, no qual o mais comum é o CDI. É normal entrar na sua plataforma de investimentos e encontrar um título que remunera, por exemplo, 100% do CDI, ou seja, esse produto vai render 100% da variação do CDI no período. Já um produto pré-fixado, com a taxa, por exemplo, de 9% ao ano, vai remunerar o investidor com essa taxa anual. Existe ainda a possibilidade de ocorrer uma junção entre os dois, com um composto indexado e um composto pré, por exemplo, o IPCA + 4%. Nesse cenário, o produto remunera a variação do IPCA, acrescido de 4% ao ano.

Com as frequentes quedas na taxa Selic, muito se fala que a renda fixa deixou de ser uma forma atraente de investimentos, o que não é uma verdade absoluta. Há poucos anos estávamos com a taxa básica de juros na casa de 14%, frente aos atuais 4,5%. Indiscutivelmente, isso também trouxe uma queda nas taxas dos produtos, mas hoje o cenário é outro. Em países mais desenvolvidos, temos taxas ainda mais baixas, mas a renda fixa continua sendo uma forma de investimento. Cabe ao investidor brasileiro se adequar ao novo cenário.

Na composição da carteira, a renda fixa é de suma importância, mesmo no caso de investidores com um perfil mais arrojado. Isso é possível com a aplicação em renda fixa. Em cenários de estresse, com muita exposição em bolsa de valores, a renda fixa poderá fazer com que a oscilação do patrimônio seja mais suave.

Além disso, é necessário a diversificação da renda fixa. Como mencionado, existem segmentos dentro dessa modalidade de investimento. Uma carteira bem diversificada protege o patrimônio em diferentes cenários. No caso do avanço da inflação, uma carteira com o composto IPCA na taxa de remuneração faz com que a mesma continue avançando. Em caso de queda de juros, como estamos vivendo no Brasil há um certo tempo, o investidor que tem um produto pré-fixado, por exemplo, com a taxa de 12%, está tendo essa recorrência de aproximadamente 1% ao mês na carteira. Então, na montagem da carteira, recomenda-se buscar sempre a diversificação para proteger o patrimônio.

Outro ponto importante é a tributação da renda fixa. Fique atento, pois cada produto tem sua regra específica de cobrança de imposto, tendo inclusive isenção para pessoa física em alguns casos, como o LCI/LCA, CRI/CRA e debêntures incentivadas.

Além disso, para o sucesso do investimento em renda fixa, é necessário ficar atento aos diferentes cenários possíveis, e posicionar melhor a carteira para o futuro. Diante das possibilidades, existem produtos mais indicados. Portanto, indica-se buscar sempre a orientação do seu assessor para que essa alocação seja mais eficiente.

Fique atento também aos riscos do produto. Toda alocação, mesmo que em renda fixa, incorre em riscos. Inegavelmente, a renda fixa é bem mais segura que a renda variável, mas ainda sim tem um risco envolvido. Não menos importante, fique atento às condições de resgate. Uma má alocação pode resultar em perdas substanciais em caso de resgate antecipado.

Sendo assim, a renda fixa continua sendo uma forma de investimento bastante considerável, mesmo em um cenário de juros baixos. A chave do sucesso está na alocação diversificada, inteligente e assertiva, de forma a posicionar a carteira para diferentes cenários, realizando lucros quando houver oportunidade e entendendo que o momento brasileiro é outro. Lembre-se de que a renda variável, em determinados momentos, vai oscilar. Então, a renda fixa é uma possibilidade valiosa para proteger o patrimônio.

*Gabriel Moura, sócio da Monteverde Investimentos

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