Renato Duque vira réu de novo, por corrupção

Ex-diretor de Serviços da Petrobrás, preso desde fevereiro na Operação 'Que País é esse?', agora é acusado de favorecer empresa italiana em obra do Gasoduto Campos de Lula

Redação

31 de julho de 2015 | 20h08

Por Valmar Hupsel Filho, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

A Justiça Federal acolheu denúncia contra o ex-diretor de Serviços da Petrobrás, Renato Duque, o lobista e delator Júlio Camargo e João Antônio Bernardi Filho, representante no Brasil da empresa italiana Saipem, de serviços de petróleo, que teria sido favorecida na contratação da obra de instalação do Gasoduto Submarino de Interligação dos Campos de Lula e Cernambi.

A decisão do juiz federal Sérgio Moro, que conduz todas as ações criminais da Operação Lava Jato, coloca Duque novamente no banco dos réus – desta vez, acusado por corrupção e lavagem de dinheiro.

Renato Duque, que passou a fazer consultorias, após deixar a Petrobrás. Foto: Fábio Motta/Estadão

Renato Duque, que passou a fazer consultorias, após deixar a Petrobrás. Foto: Fábio Motta/Estadão

De acordo com o Ministério Público Federal, João Bernardi teria lavado dinheiro proveniente de crimes de corrupção em favor de Renato Duque, mediante a utilização das contas das empresas Hayley S/A e Hayley do Brasil para o recebimento e posterior internalização dos valores.

“A Hayley do Brasil, por sua vez, ocultava e dissimulava o pagamento de vantagem indevida a Renato de Souza Duque por intermédio da aquisição e posterior destinação de obras de arte ao ex-diretor”, aponta denúncia da Procuradoria.

O ex-diretor da Petrobrás foi preso após a Polícia Federal flagrar a tentativa dele de ocultar patrimônio não declarado na Suíça por meio da transferência de 20 milhões de euros para uma conta no Principado de Mônaco. Duque já é réu em duas ações penais da Lava Jato.

A nova denúncia, a terceira contra Duque, é um desdobramento da Erga Omnes, 14.ª fase da Lava Jato, deflagrada em 19 de junho, que prendeu inclusive os maiores empreiteiros do País, Marcelo Odebrecht e Otávio de Azevedo Marques, este da Andrade Gutierrez. Na ocasião, foi preso também João Bernardi, executivo ligado à Saipem.
Duque é apontado como elo do PT no esquema de pagamento de propinas na Petrobrás. Ele teria sido indicado ao cargo pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (Governo Lula), que nega.
Na mesma decisão, o juiz federal Sérgio Moro, que conduz as investigações da Operação Lava Jato, rejeitou a denúncia, “por falta de justa causa” contra outros dois denunciados pelo Ministério Público Federal, Antônio Carlos Briganti Bernardi e Christina Maria da Silva Jorge.

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