Renato Duque era elo com empreiteiras, afirma delator

Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, da Toyo Setal, disse que ex-diretor de Serviços da Petrobrás, indicado pelo PT, definia quais empresas participavam das licitações

Redação

18 de novembro de 2014 | 13h34

Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, e Fausto Macedo

O ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque, preso na sétima etapa da Operação Lava Jato e nome ligado ao PT, era quem tratava com o “clube” formado pelo cartel de grandes empreiteiras do País que loteavam obras na estatal pagando propina a políticos e agentes públicos, segundo depoimento do executivo da Toyo Setal, Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, em sua delação premiada.

“O ‘clube’ tinha um articulador e coordenador que organizava reuniões e fazia o contato com Renato Duque, para estabelecer quais empresas seriam convidadas para cada licitação”, afirmou.

Mendonça Neto apontou ainda detalhes sobre a atuação do grupo nas obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), iniciada em 2008 ao custo de R$ 7 bilhões.

Mendonça Neto e Julio Camargo – este também ligado à Toyo Setal e que fez delação premiada – revelaram à Polícia Federal que o “clube” da propina foi criado nas obras da Refinaria de Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco – iniciada em 2008 – e que dentro dela havia ainda um “clube VIP”, que era formado pelas empresas de maior poderio econômico. Essas empresas, informaram os delatores, tinham privilégios.

“Mendonça Neto afirmou que o ‘clube’ dividiu e estabeleceu ‘pacotes’ para cada componente, inclusive por conta da ingerência na criação da obra da própria Rnest, os primeiros ‘pacotes’ contratados no Comperj foram para as empresas do ‘clube VIP'”, afirma a PF.

Segundo o delator, o “clube” tinha interesse nos contratos da Petrobrás e “estabeleceu uma relação com Renato Duque, na época diretor”. Indicado pelo PT e pelo ex-ministro José Dirceu (Casa Civil), segundo afirmou o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa em seu depoimento à Justiça Federal, Renato Duque comandava o setor responsável pelas licitações de obras de todas as diretorias e pelo acompanhamento da execução dos contratos. Por meio dela, o PT ficava com 2% do valor de todos empreendimentos da estatal petrolífera.

A Diretoria de Abastecimento, que era controlada pelo PP por intermédio de Paulo Roberto Costa, e a de Internacional, que era controlada pelo PMDB via Nestor Cerveró, ficavam com 1%.

O controle por Duque nas obras distribuídas ao “clube” da propina foi um dos itens questionados pelos policiais federais aos executivos presos na sexta-feira, na sétima etapa da Lava Jato, batizada de Juízo Final.

A defesa de Duque nega que ele tenha participação no esquema de corrupção e propina e afirma que foi preso injustamente. Ele já foi ouvido e deve ter o pedido de prisão temporária prorrogado por mais cinco dias ou transformado em preventiva.

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