‘Renan tinha um representante que negociava propina’, diz delator

Paulo Roberto Costa afirma que deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE) era o representante do presidente do Congresso

Redação

13 de julho de 2015 | 21h14

Por Ricardo Brandt, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

Renan Calheiros. Foto: Ed Ferreira/Estadão.

Renan Calheiros. Foto: Ed Ferreira/Estadão.

O ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa (Abastecimento), delator da Operação Lava Jato, declarou à Justiça Federal nesta segunda-feira, 13, que o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) tinha “um representante” que negociou com ele o pagamento de propinas. Segundo Costa, o “representante” de Renan era o deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE), antigo aliado do presidente do Congresso.

Perante o juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações penais da Operação Lava Jato, o ex-diretor da estatal depôs no processo em que são réus altos executivos da empreiteira OAS por formação de quadrilha e corrupção nas obras da REPAR (Refinaria Getúlio Vargas, no Paraná) e REPLAN (Refinaria de Paulínia/SP).

VEJA O TRECHO DO DEPOIMENTO QUE CITA RENAN CALHEIROS E ANÍBAL GOMES, a partir de 16:59 min

Costa fez uma longa explanação sobre a rotina de corrupção que se instalou na Petrobrás com base na divisão de porcentuais sobre valores de contratos. Renan Calheiros já é alvo de investigação da Procuradoria-Geral da República.

Indagado por um dos advogados da OAS, o criminalista Edward Rocha de Carvalho, sobre o suporte político que tinha para se manter no cargo, Paulo Roberto Costa disse que sua gestão era ‘compartilhada entre o PP e o PMDB’.

O advogado insistiu e quis saber quem lhe dava sustentação política no PMDB. “O senador Renan Calheiros era um dos que davam sustentação política.”

Em seguida, Edward Rocha de Carvalho perguntou. “O sr. negociava com ele (Renan) também valores, propinas, comissionamentos?”

“Não, não, com ele não. Mas ele (Renan) tinha um representante, um deputado, Aníbal Gomes, que algumas vezes negociou comigo isso”, respondeu Paulo Roberto Costa.

“Em reuniões com outros empreiteiros, esse Aníbal estava junto?, o Renan estava junto?”, perguntou o criminalista.

ABAIXO, OUTRO TRECHO DO DEPOIMENTO DE PAULO ROBERTO COSTA

“Senador Renan nunca participou de nenhuma reunião com empreiteiros, Aníbal Gomes sim”, disse o ex-diretor da Petrobrás.

Ao final da audiência, o advogado criminal Roberto Telhada, que coordena o núcleo de defesa dos executivos da OAS, declarou que vai pedir anulação da delação de Paulo Roberto Costa.

Segundo ele, o ex-diretor da Petrobrás ‘mentiu’. Para Telhada, a partir do momento em que o senador Renan Calheiros e o deputado Aníbal Gomes foram citados como supostos destinatários de propinas o processo não deveria mais ficar sob tutela da Justiça Federal de primeiro grau no Paraná – parlamentares têm foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal.

COM A PALAVRA, O SENADOR RENAN CALHEIROS

“NOTA PÚBLICA

O Senador Renan Calheiros reitera que suas relações com todas as empresas públicas e seus diretores nunca ultrapassaram os limites institucionais. Da mesma forma reafirma que jamais autorizou o deputado Aníbal Gomes ou qualquer outra pessoa a falar em seu nome. Digno de registro também é a contradição, já que nos depoimentos anteriores o delator sempre negou ter tratado de projetos e valores com o Senador Renan Calheiros.”

COM A PALAVRA, O DEPUTADO ANÍBAL GOMES

O deputado Anibal Gomes (PMDB-CE) nega as acusações. Ele afirma que não entregou e nem prometeu recursos para ninguém. Quando seu nome foi citado pela primeira vez nas delações de Paulo Roberto Costa, no início de março de 2015, o parlamentar afirmou. “Ressalto que nunca fui interlocutor do senador Renan, nem de quem quer que seja, junto a qualquer órgão, e que todas as minhas reivindicações são feitas dentro de relações institucionais e de minha total responsabilidade. Nunca me envolvi em irregularidades junto a Petrobrás, ou qualquer outra estatal, de natureza direta ou indireta.”

 CONFIRA A ÍNTEGRA DO DEPOIMENTO DE PAULO ROBERTO COSTA À JUSTIÇA FEDERAL NESTA SEGUNDA:

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