Renan admite que conhece operador do PMDB, mas ‘não o vê há 25 anos’

Renan admite que conhece operador do PMDB, mas ‘não o vê há 25 anos’

Senador peemedebista, em nota divulgada por sua assessoria de imprensa, alega que é 'igual a zero' chance de irregularidades em suas contas e campanhas

Julia Affonso, Mateus Coutinho, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

23 de fevereiro de 2017 | 10h21

Renan Calheiros. Foto: Adriano Machado/Reuters

Renan Calheiros. Foto: Adriano Machado/Reuters

O senador Renan Calheiros (PMDB-AL), ex-presidente do Senado, afirmou nesta quinta-feira, 23, que não vê o lobista Jorge Luz, alvo da Operação Blackout, 38ª fase da Lava Jato, ‘há mais de 25 anos’. A pedido da Procuradoria da República, em Curitiba, o juiz federal Sérgio Moro expediu mandado de prisão contra Jorge Luz e seu filho Bruno Luz, apontados como operadores do PMDB.

Jorge Luz havia sido citado na Lava Jato pelo ex-diretor da área Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró e pelo operador de propinas Fernando Baiano, delatores da operação. Em 18 de abril do ano passado, Cerveró disse em depoimento ao juiz Sérgio Moro que o senador Renan Calheiros recebeu propina de US$ 6 milhões por meio do lobista Jorge Luz, apontado como um dos operadores de propinas na Petrobrás, referentes a um contrato de afretamento do navio-sonda Petrobrás 10.000.

Em nota divulgada nesta quinta e assinada pela assessoria de imprensa do gabinete da liderança do PMDB, Renan admitiu conhecer o operador do PMDB.

“O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) reafirma que a chance de se encontrar qualquer irregularidade em suas contas pessoais ou eleitorais é igual a zero. O senador reitera ainda que todas as suas relações com empresas, diretores ou outros investigados não ultrapassaram os limites institucionais. Embora conheça a pessoa mencionada no noticiário, não o vê há 25 anos.

A Polícia Federal informou que são cumpridos 15 mandados de busca e apreensão e 2 mandados de prisão preventiva no Estado do Rio de Janeiro. Os investigados responderão pela prática dos crimes de corrupção, fraude em licitações, evasão de divisas, lavagem de dinheiro dentre outros.

A ação policial tem como alvo principal a atuação de operadores financeiros identificados como facilitadores na movimentação de recursos indevidos pagos a integrantes das diretorias da Petrobrás.

O nome Blackout é uma referência ao sobrenome de dois dos operadores financeiros do esquema criminoso existente no âmbito da empresa Petrobrás. A simbologia do nome tem por objetivo demonstrar a interrupção definitiva da atuação destes investigados como representantes deste poderoso esquema de corrupção.

Segundo a Procuradoria da República, Jorge Luz e Bruno Luz usaram contas de empresas offshores no exterior para pagar propina ‘de forma dissimulada’. Durante as investigações, afirma a força-tarefa da Lava Jato, foram identificados pagamentos em contas na Suíça e nas Bahamas.

A força-tarefa da Lava Jato pediu ao juiz Sérgio Moro a prisão de pai e filho por identificar que eles deixaram o Brasil e que possuem dupla nacionalidade.

“As prisões foram decretadas para garantia de ordem pública e para assegurar a aplicação da lei penal, tendo em conta a notícia que os investigados se evadiram recentemente para o exterior, possuindo inclusive dupla nacionalidade”, afirmou o procurador da República Diogo Castor de Mattos.

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