Relatório aponta aumento de 85% dos casos de racismo no futebol brasileiro

Relatório aponta aumento de 85% dos casos de racismo no futebol brasileiro

ONG Observatório da Discriminação Racial no Futebol revela que em 2015 foram registradas 37 ocorrências nos estádios; em 2014, foram 20

Julia Affonso e Fausto Macedo

17 de outubro de 2016 | 04h35

Foto: Reprodução

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Relatório da ONG ‘Observatório da Discriminação Racial no Futebol’ aponta que os casos de racismo nos estádios aumentaram 85% em 2015. No ano passado, o futebol brasileiro teve 37 ocorrências. Em 2014, 20 registros.

Do total de casos registrados, 35 foram por discriminação racial e os outros dois por homofobia e xenofobia.

O Rio Grande do Sul lidera a lista com nove registros.

Documento

Os dados sobre as hostilidades nas arenas foram apresentados na sede do Vasco, em São Januário, no Rio de Janeiro em 10 de outubro.

O documento foi elaborado pelo Observatório em conjunto com a Esefid (Escola de Educação Física, Fisioterapia e Dança), ligada à UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e com apoio da Comissão de Direito Desportivo da OAB.

O Relatório da Discriminação Racial no Futebol é dividido em duas partes. A primeira trata dos casos ocorridos no Brasil, em relação a atletas, árbitros, dirigentes, torcedores e funcionários de clubes em incidentes raciais, homofóbicos, xenofóbicos. A segunda, dos casos ocorridos com atletas brasileiros no exterior.

No Rio Grande do Sul foi registrado o maior número de casos de crimes raciais, passando de cinco em 2014 para nove em 2015.

O Estado de São Paulo aparece na sequência, com quatro casos em 2014 e três no ano passado.

Segundo o relatório, 35 casos ocorreram dentro das arenas esportivas e onze pela internet.

“É um absurdo que em pleno século 21 estejamos discutindo isso. É preciso que o torcedor saiba que este tipo de prática é crime e que deve ser punido severamente”, defende o advogado Mauricio Corrêa da Veiga, secretário da Comissão de Direito Esportivo da OAB e um dos colaboradores do relatório.

O diretor da ONG, Marcelo Carvalho, ressaltou que muitas ocorrências não ganham mídia e as punições acabam não acontecendo.

Corrêa da Veiga afirma que o relatório será enviado à direção da CBF, federações e entidades esportivas para que seja feita uma cartilha sobre racismo no esporte e distribuída aos torcedores.

“Caberá às federações, confederações e sociedade de um modo geral a adoção de medidas efetivas no intuito de erradicar de uma vez por todas a discriminação racial nas arenas esportivas, conscientizando o torcedor que tal prática se configura crime com punições severas”, defende o advogado.

Nesta edição, a ONG também levantou casos em outras modalidades. Além do futebol, foram registrados dois incidentes no vôlei, um no basquete e outro na ginástica, totalizando 41 casos no esporte brasileiro em 2015.

“A novidade neste relatório foi a identificação não apenas dos casos de racismo no futebol, mas, também a inclusão de incidentes em eventos relacionados a outros esportes”, destaca Corrêa da Veiga.

Segundo ele, apesar do alto índice de casos de racismo, somente um episódio recebeu punição pelo Tribunal de Justiça Desportiva.

Em outros dois casos, o agressor foi preso, identificado e liberado pela polícia após pagamento de fiança.

Em outro, a Federação local suspendeu preventivamente o acusado.

O QUE APONTA O RELATÓRIO

* 2 casos foram julgados pelo STJD*;
* 6 casos foram julgados pelo TJD*;
* 17 casos não originaram registros de ocorrência do fato na polícia;
* 10 casos tiveram registro de Boletim de Ocorrência (B.O.)*;
* 1 sem informação encontrada;
* 1 caso com punição preventiva.

*OBS: Dois casos foram julgados pela Justiça Desportiva e foram registrados o Boletim de Ocorrência.

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