Relatora da CPMI das Fake News diz que pediu provas ao Supremo e que novos elementos vão ajudar a desmontar ‘rede de ódios, inverdades e impunidade’

Relatora da CPMI das Fake News diz que pediu provas ao Supremo e que novos elementos vão ajudar a desmontar ‘rede de ódios, inverdades e impunidade’

Deputada Lídice da Mata considera que a ofensiva da PF que vasculhou endereços de aliados de Bolsonaro nesta manhã converge e comprova a linha de investigação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News no Congresso Nacional

Pepita Ortega e Fausto Macedo

27 de maio de 2020 | 14h46

Deputada federal Lidice da Mata (PSB-BA) durante reuniao deliberativa da CPMI das Fake News em setembro de 2019 Foto: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

A deputada Lídice da Mata (PSB-BA), relatora da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News, indicou que já solicitou ao Supremo Tribunal Federal as provas e informações colhidas durante operação da Polícia Federal que cumpriu na manhã desta quarta, 27, mandados de busca e apreensão em endereços ligados a empresários, políticos e blogueiros aliados do presidente Jair Bolsonaro. “Teremos agora importantes novos elementos que nos ajudarão a desmontar essa rede de ódio, inverdades e impunidade que vem ameaçando o própria existência da democracia e dominando a política nacional desde as eleições presidenciais de 2018”, afirmou a parlamentar em nota.

Segundo Lídice, a ofensiva da PF que vasculhou endereços de aliados de Bolsonaro nesta manhã – entre eles o do presidente nacional do PTB Roberto Jefferson, do empresário Luciano Hang e do blogueiro Alllan dos Santos, do site Terça Livre – converge e comprova a linha de investigação da CPMI das Fake News no Congresso Nacional.

“As ações promovidas pela Operação da PF, reafirmam o que já era conhecido pelos membros da CPMI através de depoimentos e documentos recebidos pela Comissão: uma rede financiada por alguns empresários e com recursos públicos – integrada por vários políticos e agentes públicos – para disseminação de informações falsas no Brasil com o objetivo de manchar biografias, espalhar o caos e o medo e influenciar pleitos eleitorais”, afirmou a deputada.

Na decisão que autorizou as buscas contra aliados de Bolsonaro, Alexandre apontou indícios de que um grupo de empresários atua de maneira velada financiando recursos para a disseminação de fake news e conteúdo de ódio contra integrantes do STF e outras instituições. O ministro também definiu como “associação criminosa” o grupo conhecido como “gabinete do ódio”, como é chamado um núcleo de assessores que tem forte influência sobre o presidente Jair Bolsonaro e suas redes sociais.

Entre os empresários que estariam financiando o grupo criminoso estão o dono da rede de lojas de departamento Havan, Luciano Hang; o dono da Smart Fit, Edgard Gomes Corona; Otavio Fakhoury, financiador do site Crítica Nacional; o humorista Reynaldo Bianchi Júnior; o coordenador do Bloco Movimento Brasil Winston Rodrigues Lima.

Na avaliação de Alexandre de Moraes, as provas colhidas na investigação apontam “sérios indícios” de prática de crimes de calúnia, difamação, injúria, associação criminosa e contra a segurança nacional. Além dos empresários, políticos, blogueiros e ativistas bolsonaristas que foram alvos de buscas, estão entre os investigados oito deputados ( seis federais e dois estaduais) que foram intimados a depor no âmbito do inquérito.

“Essas tratativas ocorreriam em grupos fechados no aplicativo de mensagens Whatsapp, permitido somente a seus integrantes. O acesso a essas informações é de vital importância para as investigações, notadamente para identificar, de maneira precisa, qual o alcance da atuação desses empresários nessa intrincada estrutura de disseminação de notícias fraudulentas”, apontou Alexandre de Moraes.

A decisão do ministro também destaca os depoimentos prestados pelos deputados federais Alexandre Frota (PSDB-SP) e Joice Hasselmann (PSL-SP), que contaram detalhes sobre o funcionamento do “Gabinete do Ódio”.

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