Relator vota para trancar investigações da Greenfield contra Paulo Guedes

Relator vota para trancar investigações da Greenfield contra Paulo Guedes

Julgamento do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) sobre apuração contra o ministro da Economia foi suspenso por pedido de vista de desembargadora

Rafael Moraes Moura/ BRASÍLIA

22 de setembro de 2020 | 17h42

O ministro da Economia Paulo Guedes. Foto: FÁBIO MOTTA/ESTADÃO

O desembargador Ney Bello, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), votou nesta terça-feira (22) para trancar as investigações da força-tarefa da Operação Greenfield que miram o ministro da Economia, Paulo Guedes. O caso foi suspenso por um pedido de vista (mais tempo para análise) da desembargadora Maria do Carmo Cardoso.

Até agora, Ney Bello não identificou elementos de prova suficientes para caracterizar crime. Para o desembargador, a Justiça “não pode ficar surda” aos impactos da apuração para a sociedade.

“Há uma responsabilidade sistêmica, natural, no caso presente que não  pode ser desconhecida, que exige rapidamente uma solução também do Judiciário.  Não se trata do sangramento de um cidadão comum, mas o sangramento da própria economia, que vai se espraiar por toda e qualquer casa, toda e qualquer relação econômica de qualquer cidadão”, observou o relator do caso, desembargador Ney Bello.

Procuradores investigam operações financeiras realizadas por Fundos de Investimento em Participações – FIP’s geridos pela BR Educacional Gestora Ltda, à época vinculada a Paulo Guedes. Investigações do Ministério Público Federal (MPF) apontam suspeitas de irregularidades em um investimento feito na empresa Enesa Participações, feito pelo FIP Brasil Governança, gerido pela BR Educacional. Esse investimento gerou perda total a seus cotistas.

Os advogados de Guedes argumentam, no entanto, que, no geral, os investimentos no FIP Brasil Governança tiveram resultado positivo. Além disso, a defesa de Guedes afirmou ao TRF-1 que os fatos sob apuração no MPF já haviam sido analisados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que teria apontado inexistência de irregularidades. O ministro da Economia estaria sendo submetido a constrangimento ilegal, segundo seus defensores.

“Se a CVM disser que não houve crime, não houve temeridade, não houve fraude, estaremos enquanto Justiça premidos por essa obrigação”, frisou Ney Bello.

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