Relator da ação contra Dilma/Temer no TSE nega ouvir Padilha e Yunes

Relator da ação contra Dilma/Temer no TSE nega ouvir Padilha e Yunes

Herman Benjamin, relator no Tribunal Superior Eleitoral, rejeitou pedido da defesa da petista sob argumento que ação "não pode servir como um centro de investigação de ilícitos penais que, em tese, envolvam todo o setor político brasileiro'

Mateus Coutinho e Fausto Macedo

14 Março 2017 | 19h47

Eliseu Padilha. Foto: Brazil Photo Press

Eliseu Padilha. Foto: Brazil Photo Press

O ministro Herman Benjamin, relator da ação que pede a cassação da chapa Dilma-Temer no TSE, negou nesta terça-feira, 14, o pedido da defesa da ex-presidente para ouvir o ex-assessor especial da Presidência José Yunes e o ministro da Casa Civil Eliseu Padilha (PMDB).

“Não houve referência, no conjunto probatório até aqui produzido, de fatos concernentes à atuação de Eliseu Padilha ou José Yunes que tenham correlação direta com o objeto desta causa, isto é, o financiamento da chapa Dilma-Temer em 2014”, assinalou Benjamin no despacho, ressaltando que a ação “não pode servir como um centro de investigação de ilícitos penais que, em tese, envolvam todo o setor político brasileiro”.

José Yunes. FOTO: FELIPE RAU/ESTADÃO

José Yunes. FOTO: FELIPE RAU/ESTADÃO

O pedido da defesa da petista foi feito depois de o ex-executivo da Odebrecht José de Carvalho Filho ter afirmado em depoimento à corte eleitoral na última sexta-feira, 10, que Padilha recebeu pelo menos quatro senhas para o pagamento de caixa 2 ao PMDB. As senhas tinham os seguintes nomes: “Foguete”, “Árvore”, “Morango” e “Pinguim”.

Padilha teria acertado locais de entrega do dinheiro da empreiteira mediante senhas trocadas com o ex-executivo. De acordo com Carvalho Filho, um dos locais indicados por Padilha foi o escritório de José Yunes, amigo e ex-assessor de Michel Temer. Esse pagamento teria sido realizado no dia 4 de setembro de 2014.

O valor total destinado ao PMDB chegou a R$ 5 milhões, dos quais R$ 500 mil teriam sido destinados ao então deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Carvalho Filho afirmou que para entregar as senhas esteve com Padilha pelo menos quatro vezes. O ex-executivo da Odebrecht trabalhava na equipe do ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho. No anexo de delação premiada que veio à público em dezembro, Melo relata que foi Carvalho Filho quem o apresentou a Padilha.

Operadores. O ministro ainda negou também os pedidos para ouvir os operadores do “departamento de propina” da Odebrecht Ubiraci Santos, Alvaro Novis e Vinícius Claret. Para o ministro, outros delatores da empreiteira, representantes do referido departamento, já foram ouvidos e estes novos depoimentos seriam, portanto, dispensável.  “Não é possível aceitar que a investigação eleitoral alcance os desdobramentos operacionais dos pagamentos ilícitos, trazendo aos autos os ‘doleiros’, ‘motoqueiros’ e outros agentes menores”, assinalou.

“De tal feita, configura medida de efeitos procrastinatórios e sem valor probatório relevante para esta demanda, autorizar que o aprofundamento da prova alcance condutas de indivíduos que, em última análise, guardam relevo para a seara criminal, extravasando os limites de ação tipicamente eleitoral”, segue o magistrado.

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