Reinserção do cidadão em situação de rua deve ser uma política intersetorial

Reinserção do cidadão em situação de rua deve ser uma política intersetorial

Marina Bragante*

05 de setembro de 2020 | 13h00

Marina Bragante. FOTO: ARQUIVO PESSOAL

O trabalho com as cidadãs e cidadãos em situação de rua na cidade de São Paulo deve ser visto muito além da marmita para que a fome seja aplacada e do cobertor para aquecer o corpo. Cabe ao poder público garantir uma visão multidimesional do desafio e, por tanto, integrar as políticas sociais para atender as mais de 25.000 pessoas nessa situação.

Ninguém está na rua porque quer. As pessoas em situação de rua foram, ao longo da vida, rompendo seus vínculos afetivos e sendo colocados à margem da sociedade. Os motivos são muitos e passam por desemprego, dependência química, alcoolismo, violência doméstica, falta de oportunidades e desafios familiares dos mais diversos. Os fatores geralmente são múltiplos e combinados.

O poder público deve ter como meta reinserir essas pessoas de forma plena na sociedade. Por isso a questão dos moradores em situação de rua envolve outros setores, não apenas a rede pública de assistência social.

São necessárias políticas que envolvam atendimento à sua saúde física e mental, transferência de renda, garantia de habitação, rede de apoio a até capacitação profissional e programas de geração de renda e emprego.

Cumpridas essas etapas, a pessoa que está na rua terá a oportunidade de ser reinserida na sociedade e no mercado de trabalho e ter, de volta, a dignidade restaurada e sua autonomia garantida.

É preciso avançar a fim de assegurar um padrão de atendimento articulado na rede. O caminho não é fácil, e passa pelo esforço coletivo, empenho do poder público e as diversas parcerias. São Paulo pode sim ser uma cidade mais acolhedora para todos.

*Marina Bragante trabalha na gestão pública há 15 anos. Foi chefe de Gabinete da deputada estadual de São Paulo pela Rede Marina Helou, secretária adjunta de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo, trabalhou na CMSP (Câmara Municipal de São Paulo) e na Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento do município de São Paulo. É líder do movimento Vamos Juntas, líder Raps (Rede de Ação Política para a Sustentabilidade) e foi aluna do Renova BR

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