‘Rei do Ônibus’ revela R$ 145 mi em propina e ‘ajuda de campanha’ a Sérgio Cabral

‘Rei do Ônibus’ revela R$ 145 mi em propina e ‘ajuda de campanha’ a Sérgio Cabral

Empresário Jacob Barata Filho depôs nesta quarta, 12, ao juiz Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Federal Criminal do Rio, e detalhou rotina de supostos pagamentos ao governo do emedebista, entre 2010 e 2016

Roberta Jansen/RIO

12 de dezembro de 2018 | 19h17

Jacob Barata Filho (centro). Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO

Preso desde novembro do ano passado, o empresário do setor de transportes Jacob Barata Filho confirmou na Justiça Federal nesta quarta, 12, o pagamento de R$ 145 milhões ao ex-governador Sérgio Cabral em propina e ajuda de campanha, entre 2010 e 2016. A defesa de Cabral negou as acusações e reclamou da falta de apresentação de provas no depoimento.

Barata confirmou também que a Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado (Fetranspor) mantinha um caixa dois que reunia verbas dos empresários do setor especificamente destinadas ao financiamento de campanhas políticas e ao pagamento de propina. As informações já haviam sido detalhadas nas delações de Carlos Miranda, operador financeiro do ex-governador, e de Marcelo Traça Gonçalves, também empresário do setor.

Segundo Barata Filho, havia um pagamento mensal fixo de propina para o governo do Estado “da ordem de R$ 300 mil a R$ 400 mil”. Também eram feitos repasses de valores extraordinários, chamados de “prêmios”, referentes a pleitos específicos do setor, como redução do IPVA para os ônibus e do ICMS sobre o setor. Ainda segundo Barata, a prática é antiga no Rio, remontando à década de 80.

“Sempre houve pagamento de no mínimo um apoio de campanha através do caixa dois pelas empresas”, afirmou em depoimento ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal. “O único governo para o qual não tivemos apoio de campanha política foi o primeiro de Leonel Brizola (1983-1987).” O empresário cumpre prisão domiciliar desde outubro porque aceitou colaborar com a investigação.

Barata confirmou também que as negociações de valores a serem pagos eram feitas diretamente pelo então presidente da Fetranspor José Carlos Lavouras, atualmente foragido em Portugal, com o ex-governador Cabral.

Também prestou depoimento nessa terça, 11, Luiz Carlos Bezerra, um dos operadores de Sérgio Cabral. Ele contou a Bretas que em 2016, depois de Cabral ter deixado o governo (em 2014), ele era enviado pelo ex-governador à sede da Viação Flores, em São João do Meriti. Sua missão era receber pacotes de dinheiro e repassá-los a familiares do ex-governador.

“Eu estive lá umas dez ou 12 vezes”, contou. “Pegava de R$ 200 mil a R$ 250 mil por vez e entregava aos parentes. Eu era um empregado dele: recebia ordens e cumpria as ordens”, contou.

Também prestaram depoimento o empresário Marcelo Traça Gonçalves, ex-presidente do conselho de administração da Fetranspor, e Lélis Teixeira, ex-presidente da Fetranspor.

COM A PALAVRA, A DEFESA
O advogado de ex-governador do Rio Rodrigo Roca afirmou que o empresário Jacob Barata Filho não apresentou nenhuma prova do que afirmou. “Ele não tem documento de nada; chega aqui e faz um discurso sem prova alguma.”