Reforma da Previdência: um exemplo para a área da saúde

Reforma da Previdência: um exemplo para a área da saúde

Ricardo Ramos*

18 de maio de 2019 | 06h00

Ricardo Ramos. FOTO: DIVULGAÇÃO

No momento em que toda a energia do nosso congresso está voltada para a reforma da Previdência, os ativistas da saúde (como classifico aquelas pessoas que lutam agora ou desde sempre pela sustentabilidade de um setor, cada vez mais em xeque) precisam estar atentos, pois o que “quebrou” as contas previdenciárias, está prestes a “quebrar” também o setor de saúde suplementar.

Existem vários fatores que contribuem para o risco da sustentabilidade da saúde suplementar no curto e médio prazos, sendo alguns deles o envelhecimento da população que está acontecendo de forma acelerada, as doenças crônicas cada vez mais prevalentes e as novas tecnologias que também têm chegado com alta velocidade e alto custo financeiro.

Mas qual a saída se estamos diante de situações demográficas inerentes da nossa atual transformação populacional e de soluções tecnológicas, como medicamentos, aparelhos médicos e modernos procedimentos que contribuem em muito com nossa saúde?

A resposta está no campo da educação, promoção de saúde e de melhores hábitos de vida, prevenção de doenças e auto-cuidado. Precisamos nos preocupar mais com nossa saúde, para conseguirmos gastar menos tempo com nossas doenças. Parece simples, mas não é.

A possibilidade de cada indivíduo ter seu genoma aberto com a medida de seus riscos genéticos para determinadas doenças, o seu mapeamento de hábitos de vida, a internet das coisas capturando um “sem fim” de dados e informações do dia a dia das pessoas, bem como novos modelos em big data com aplicação de inteligência artificial sobre todos esses dados e informações, nos levam ao entendimento de que certamente seremos mais bem assistidos pelas equipes multiprofissionais de saúde como nunca na história da humanidade.

Eu acredito nesse cenário, mas se não houver uma cultura de promoção de saúde e prevenção de doenças, não conseguiremos mudar a nossa atual condição de tratar a doença das pessoas ao invés da saúde delas.

Esse é o ponto: mais saúde e menos doença.

A Aliança para Saúde Populacional é uma organização do terceiro setor voltada a contribuir com o mercado de saúde, fomentando conceitos, definições, melhores práticas, tendências, educação e aproximação de todos os interessados no tema de Gestão de Saúde Populacional. Nos últimos anos, nossa instituição recebeu demanda crescente de grandes empregadores do Brasil, que em última instância são os grandes financiadores do setor de saúde suplementar, pois garantem o benefício saúde para seus colaboradores e familiares. Acreditamos que essas empresas são os grandes vetores da mudança em darmos mais foco à saúde no curto prazo, contribuindo diretamente com os seus colaboradores, garantindo melhor qualidade de vida para eles e seus familiares, bem como maior produtividade e melhor qualidade assistencial.

Em junho, fórum internacional em São Paulo terá como tema principal Gestão de Saúde Populacional: Um Convite Para a Prática (www.forumasap.com.br), onde reuniremos algumas das melhores experiências do Brasil, dos Estados Unidos e de Portugal para serem compartilhadas com o público e fomentar a mudança tão necessária na busca da sustentabilidade do nosso setor.

Ativistas da saúde: vamos nos mexer para mudar a rota de colisão do nosso setor com a insolvência financeira que parece certa.

*Ricardo Ramos, diretor técnico da Asap

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