Reforma da previdência e os militares

Reforma da previdência e os militares

Coronel Tadeu*

18 de abril de 2019 | 09h00

Coronel Tadeu. FOTO: DIVULGAÇÃO

Uma viatura cravada de balas e mais um policial morto em serviço. No outro dia, um bombeiro que morreu queimado, quando atendia um incêndio. Passadas algumas semanas, um policial assassinado dentro de um ônibus, pois foi reconhecido por bandidos. Ainda temos que chorar a morte de um colega, também policial, porque, no seu horário de folga, trabalhava fazendo a segurança de um estabelecimento comercial, para completar seus vencimentos e dar tranquilidade a sua família.

São situações como essa que me fazem pensar um pouco sobre a profissão que abracei durante uma vida. Nada no dia a dia de um policial é fácil, começando pelo seu salário que, na maioria dos estados, é parco e mal dá para sustentar a sua família. Mas, o que muitos pensam, é que um policial tem todas as proteções do mundo e tem inúmeros direitos que as pessoas comuns não têm e, por isso, é tachado de privilegiado.

Precisamos falar a verdade. Esses privilégios nunca existiram e não passam de bravatas daqueles que não gostam da atividade policial. É hora de vasculhar a fundo sobre como é ser um policial nesse país.

Todo trabalhador tem na Constituição Federal as garantias trabalhistas, de acordo com a função que exerce, mas, algumas delas, são comuns a todos os trabalhadores. Na Constituição Federal de 1988, estabeleceu-se um rol 36 direitos trabalhistas. Muitos imaginam, de forma equivocada, que os policiais têm muito mais que isso. Ledo engano. A Constituição lembrou-se de todos os trabalhadores, mas fez questão de separar os militares e os policiais militares. Para esses, sobraram apenas seis direitos de todos aqueles que foram contemplados na Constituição.

Como um cidadão de bem eu pergunto: sabe o que os policiais fazem por você?

Eles pedem esmolas a empresários, para arrumar as viaturas, com o objetivo de manter a sua segurança.

Transitam em alta velocidade, para chegar mais rápido até você.

Colocam suas vidas em risco, quando não podem esperar reforço para fazer a captura de bandidos.

Mesmo em dias de folga, não pensarão duas vezes se precisarem trocar tiros com bandido e, pior, sem coletes à prova de balas. Afirmo: dias de folga anão existem.

Via de regra, os governos dos estados menosprezam todo esse magnífico trabalho, pagando mal e deixando de dar o reajuste e a reposição salarial que é prevista em lei.

Resta, apenas, a aposentadoria que vai garantir a paridade e a integralidade de um salário baixo, mas digno, após 30 anos de serviço. Isso significa que, o meu primeiro salário da aposentadoria será igual ao último da minha vida ativa. E significa, também, que eu não serei esquecido quando o governo quiser reajustar o salário dos meus irmãos de farda, que estão trabalhando nas ruas.

É essa atenção que se pede para a previdência dos militares, na reforma que o governo Bolsonaro está promovendo. E o que pedimos não é nada que vá melhorar o atual quatro, mas, também, não estamos querendo perder esses poucos direitos que conquistamos.

Quando falo que um policial deve ter uma vida ativa limitada a 30 anos de trabalho, eu não estou preocupado apenas com o policial. Me preocupo, também, com a segurança da sociedade que, muito provavelmente, terá que encontrar pelas ruas policiais com 60 anos de idade e absolutamente incapazes, por falta do vigor físico exigido pela profissão, de defender alguém que for vítima de crime.

Os policiais representam o último suspiro de vida de quem está mergulhado em um oceano de crimes e mortes.

Quem sabe não é essa a hora de prestarmos mais atenção aos milagres que os policiais fazem para a segurança, ao invés de retirar-lhes direitos tão duramente conquistados.

*Coronel Tadeu, deputado federal (PSL-SP). É autor dos livros Reaja – Preparem-se para o confronto Insegurança Pública e Privada – Basta de Hipocrisia