Reforma da cozinha do sítio de Atibaia foi discutida no churrasco com Lula e empreiteiro, diz executivo

Reforma da cozinha do sítio de Atibaia foi discutida no churrasco com Lula e empreiteiro, diz executivo

Ex-diretor da OAS Paulo Gordilho revelou detalhes da reunião em depoimento à juíza federal Gabriela Hardt nesta sexta, 9

Paulo Roberto Netto e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

10 Novembro 2018 | 05h00

Sítio frequentado pelo ex-presidente Lula em Atibaia. Foto: Márcio Fernandes/Estadão

O pedido de reforma da cozinha do sítio de Atibaia foi feito à OAS durante um churrasco com empresários da empreiteira e o ex-presidente Lula, condenado e preso em Curitiba no âmbito da Lava Jato. Em depoimento à juíza Gabriela Hardt, o ex-diretor da OAS Paulo Gordilho, afirmou que o projeto da obra foi repassado por Fernando Bittar, o então proprietário do imóvel.

“O Fábio (Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do ex-presidente Lula) e o Fernando Bittar mandaram comprar carne e eles fizeram um churrasco”, narrou Gordilho. “Sentamos numa mesa eu, o doutor Leo (Pinheiro, ex-presidente da OAS), o ex-presidente (Lula), o Fábio, o Bittar e dois ou três seguranças”.

Segundo Gordilho, Fernando Bittar aproveitou a situação para repassar um projeto de reforma da cozinha do sítio. “Ele mostrou ao doutor Leo, que nem leu. Pegou o papel, passou pra mim: ‘Paulo, resolva isso’. Aí fui com o Bittar até o local da cozinha e ele me mostrou a ideia, que eu não sei se foi feita pela mulher dele (Lula) ou outra pessoa”, disse o ex-diretor.

A reforma ficaria orçada inicialmente em R$ 210 mil, mas como seria pago em espécie, o valor caiu para R$ 170 mil. O ex-diretor afirma que visitava o local, onde dois funcionários realizavam os trabalhos, e ficou encarregado de garantir a reforma até o dia 28 de junho, data que Fernando Bittar e a família Lula planejava uma festa de São João no sítio.

“Quem estava resolvendo tudo era dona Marisa, mas não comigo. Ela conversava sempre através de Fernando. Ele dizia: ‘Minha tia gostou, minha tia quer que bote isso’, esse tipo de coisa”, diz Gordilho.

Segundo ele, a ex-primeira-dama, morta em fevereiro de 2017, costumava ser vista no sítio, ‘cuidando da horta’.

Também foram interrogados pela juíza Hardt, sucessora de Sérgio Moro na Operação Lava Jato no Paraná, o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, que está preso na sede da Polícia Federal em Curitiba, base da Lava Jato, e o executivo ligado à empreiteira Agenor Franklin.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO CRISTIANO ZANIN MARTINS, QUE DEFENDE LULA

“Leo Pinheiro foi ouvido hoje (09/11) como acusado e tal como fez na ação do tríplex preferiu acusar Lula com afirmações mentirosas ao invés de se defender. A estratégia faz parte de uma tentativa de convencer o Ministério Público Federal a lhe conceder benefícios, inclusive para sair da prisão, por meio de um acordo de delação que negocia há quase 2 anos.

Agenor Medeiros, também ouvido reconheceu que é falsa a acusação do Ministério Público ao afirmar que ele teria prometido e oferecido vantagens indevidas a Lula por meio da reforma de um sítio em Atibaia.

Paulo Gordilho, por seu turno, deixou evidente em seu depoimento que sempre tratou com Fernando Bittar sobre os assuntos relativos ao sítio de Atibaia, que é o proprietário do imóvel.”

 

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