Reflexões sobre o livro ‘ESG: O Cisne Verde e o Capitalismo de Stakeholder – A Tríade Regenerativa do Futuro Global’

Reflexões sobre o livro ‘ESG: O Cisne Verde e o Capitalismo de Stakeholder – A Tríade Regenerativa do Futuro Global’

Juliana Oliveira Nascimento*

29 de dezembro de 2021 | 05h00

Juliana Oliveira Nascimento. FOTO: INAC/DIVULGAÇÃO

Um marco se consolida com a publicação do livro ESG: Capitalismo de Stakeholder e Cisne Verde – A Tríade Regenerativa do Futuro Global publicado pela Editora Revista dos Tribunais/ Thomson Reuters, a obra tem o propósito de apresentar o contexto que movimentado o ambiente dos negócios, além de ser um tema de interesse para empresas, investidores, governos e organismos internacionais em nível global.

Diante disso, o livro evidencia a realização de um processo transformacional que impacta diretamente o modelo de gestão, cabendo aos líderes esse novo olhar e adaptação.

As transformações são rápidas, logo, esse pressuposto faz todo sentido para a gestão das organizações no olhar ESG, o que se configura no premente rompimento de paradigma aos conceitos que existiam anteriormente. A resiliência é premissa para quem desejar permanecer no mercado, isso em conjunto com a integridade e a transparência que são elementos essenciais para a prática de negócios responsáveis.

O contexto atual da sociedade, inclusive a ocorrência da pandemia, acelerou essa mudança, que já inicialmente estava sendo disseminada antes mesmo dessa crise global. Nesse prisma, se fortalece o Capitalismo de Stakeholder voltado às partes interessadas, cuja visão foi iniciada pelo Fórum Econômico Mundial.

Logo, tem-se a concepção do risco financeiro como um risco climático e a criação de valor de um capitalismo responsável e transparente. Nessa linha, encontra-se o Capitalismo Regenerativo expressado por John Fullerton e John Elkington, sendo esse último conhecido como o pai da sustentabilidade. Diversos marcos passam a deixar, ainda mais, solidificada essa perspectiva, a visão do Kofi Annan com o Pacto Global – a partir da publicação “Who Cares Wins” em 2004, além disso, a Carta aos CEOs de Larry Fink da Black Rock, a maior gestora de ativos do mundo, que colocou as diretrizes ambientais, sociais e de governança na grande pauta das organizações.

Com base nessa transmutação na perspectiva do planeta, pessoas, economia, meio ambiente e negócios que o presente livro foi dividido nos panoramas que representam o ESG, a tríade: Ambiental, Social e de Governança.

No capítulo introdutório ‘A Jornada ESG’ apresento o texto que desenvolve uma abordagem histórica do tema, ainda destaco a relevância da implementação de ‘ESG Vivo’, ou seja, efetivo nas organizações. Além disso, há uma abordagem a respeito da globalização, bem como do novo panorama do Capitalismo de Stakeholder e Regenerativo, tendo o enfoque da nova visão do mercado e das respectivas regulamentações que se encontram em andamento.

No capítulo Ambiental se evidencia a essencialidade das questões ambientais até os dias de hoje, a relevância da sustentabilidade, o cenário do Direito e Compliance Ambiental, mudanças climáticas, créditos de carbono, títulos sustentáveis, agronegócio e biodiversidade.

No capítulo Social encontra-se uma vertente que aborda acerca dos direitos humanos e fundamentais, da relação da integridade, reputação, inclusão, diversidade, equidade de gênero, sendo essa última com o propósito de destacar o papel da mulher em posições de liderança. Ademais, se dá enfoque a condução da temática nas relações de trabalho, os impactos na proteção de dados, bem como na cadeia de fornecedores e das relações de consumo.

No capítulo Governança, por sua vez, o destaque encontra-se no papel das lideranças das organizações, aos impactos aos modelos de governança e a importância da gestão voltada a uma boa estruturação da Governança Corporativa. Seguindo essa linha, se ressalta a relevância dos sistemas de integridade, do programa de compliance e a função do Compliance Officer nas frentes ESG. Além disso, se enfatiza a relação do tema com o combate a corrupção, ainda, a relação com os riscos emergentes e a perspectiva da Auditoria Interna.

Com uma visão mais regional se salientou o contexto ESG na América Latina e nos Estados Unidos.

Ademais, houve a abordagem da relevância do tema diante do Mercado de Capitais, operações de fusões e aquisições (M&A) e a agenda dos investimentos. Por fim, o capítulo se concretiza com a relação dos aspectos tributários, contratuais, bem como o enfoque na área de infraestrutura e a realidade para as pequenas e médias empresas – PMEs.

Diante do exposto, o mais relevante é que se possa ter a visão de um “ESG Vivo”, perscrutada por toda a sociedade em nível global, além das organizações e governos. Os aspectos ambientais, sociais e de governança devem ser consolidados de modo a assegurar a perenidade e sustentabilidade nas organizações.

Convida-se a todos para conhecer mais a respeito, com o desejo de que apreciem a leitura, dessa relevante obra que possui mais de 700 páginas, 42 artigos e conta com participação de mais de 50 autores entre acadêmicos e executivos que contribuem com seus conhecimentos em diversos temas relevantes no contexto ESG!

*Juliana Oliveira Nascimento é gerente executiva sênior, cofundadora do Compliance Women Committee, advogada e professora. Master of Laws (LLM) pela Steinbeis University Berlin. Mestrado em Direito pela Unibrasil. Global Corporate Compliance pela Fordham University. International Management Business and Compliance pela Frankfurt University Applied of Sciences

Este texto reflete única e exclusivamente a opinião do(a) autor(a) e não representa a visão do Instituto Não Aceito Corrupção

Esta série é uma parceria entre o blog e o Instituto Não Aceito Corrupção (Inac). Acesse aqui todos os artigos, que têm publicação periódica

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