Redução de poluentes: sua logística está pronta para o futuro?

Redução de poluentes: sua logística está pronta para o futuro?

Jarlon Nogueira*

09 de maio de 2021 | 04h30

Jarlon Nogueira. FOTO: DIVULGAÇÃO

A Cúpula sobre o Clima, evento online que reuniu os 40 principais líderes mundiais entre os dias 22 e 23 de abril, reacendeu as discussões sobre a redução de emissão de poluentes. A principal notícia foi a promessa do presidente americano Joe Biden de diminuir entre 50% e 52% os gases que causam o efeito estufa.

O anúncio dos Estados Unidos teve como maior objetivo ‘puxar’ novas iniciativas de outros grandes poluidores, como a Índia e a China. Esse último, inclusive disse estar alinhado com os Estados Unidos quando o assunto é poluição, anunciando a possibilidade de um trabalho conjunto.

A participação brasileira foi marcada pelo discurso do presidente Jair Bolsonaro, que baseou sua fala no que foi feito em gestões passadas e não apresentou novas estratégias.

Segundo o Greenpeace, mais de 160 mil pessoas morreram apenas em 2020 nas cinco cidades mais populosas do planeta em decorrência da poluição atmosférica. Apenas em Nova Déli foram quase 54 mil vítimas, seguidos por 40 mil em Tóquio – os demais óbitos aconteceram em Xangai, São Paulo e Cidade do México.

A quarentena reduziu a poluição no Brasil, com uma diminuição de até 50% em gases como o monóxido de carbono e óxidos de nitrogênio. Porém ainda é pouco para desacelerar o aquecimento global. Ainda mais porque o Brasil tem uma das piores políticas climáticas do mundo – segundo o Instituto NewClimate, falta planejamento para a redução das taxas de poluição.

Tem havido, em 2021, um aumento de na produção e venda de caminhões. Porém isso não significa que a idade média da frota aumentou: os caminhoneiros têm dirigido veículos cada vez mais velhos, com uma média que chega a 15,2 anos. Quando se trata de autônomos, o índice é ainda pior: 18,4 anos!

A necessidade de renovação da frota é uma questão urgente e já bastante antiga. Veículos velhos têm chances maiores de não receberem a manutenção correta, além de não serem equipados com tecnologias mais modernas. E isso se reflete no crescimento da poluição.

Sim, os caminhões são os maiores poluentes do Brasil. Junto com os ônibus, são responsáveis por cerca de metade das emissões. E, inclusive, as principais montadoras presentes no Brasil foram à justiça pedindo uma prorrogação no prazo do início da utilização de tecnologias mais limpas.

E, enquanto o mundo discute a redução de poluentes e a indústria brasileira tenta adiar a adoção de mudanças que gerariam menos emissão, algumas empresas buscam maneiras de tornar o transporte de seus produtos mais ‘limpos’.

A Nestlé, por exemplo, anunciou que vai investir R$15 milhões na construção de uma frota de veículos elétricos ou movidos a GNV ou biometano até 2022. O objetivo é adquirir 100 veículos, renovando 10% da frota da companhia. Já a expectativa de redução da emissão de poluentes é de 5,7 mil toneladas de CO2 por ano.

Outra ação interessante é realizada pelo Mercado Livre. Maior empresa de comércio eletrônico da América Latina, em 2021 a companhia anunciou ter incorporado mais de 70 carros e vans movidas à energia elétrica para o México, Chile, Uruguai e Brasil. No nosso país são mais de 50 veículos e os planos são de expandir a frota ainda mais nos próximos dois anos.

Sua empresa está preparada para reduzir a emissão de gases nocivos ao meio ambiente? Cuidar do futuro das próximas gerações é extremamente importante e essa preocupação precisa ser levada a sério por organizações de todos os tamanhos! A área de logística será severamente afetada e sairá na frente quem oferecer opções mais limpas de transporte.

*Jarlon Nogueira, CEO da AgregaLog

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