Rede vê ‘interesses não republicanos’ de Bolsonaro e vai ao Supremo contra Ramagem na chefia da PF

Rede vê ‘interesses não republicanos’ de Bolsonaro e vai ao Supremo contra Ramagem na chefia da PF

Após derrota em primeira instância para manter Valeixo no cargo, partido apresentou ação para derrubar decreto que nomeou indicado do presidente para a direção-geral da corporação

Paulo Roberto Netto

28 de abril de 2020 | 16h53

A Rede Sustentabilidade entrou com ação no Supremo Tribunal Federal para derrubar a indicação do ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem, para a direção-geral da Polícia Federal. Nome de confiança da família Bolsonaro, Ramagem teve a nomeação publicada no Diário Oficial da União na madrugada desta terça, 28.

Em primeira instância, a Rede tentou manter no cargo o ex-diretor da corporação, Maurício Valeixo, mas o pedido de liminar foi negado pelo juiz Ed Lyra Leal, da 22ª Vara Federal do Distrito Federal. A petição era assinada pelos senadores Randolfe Rodrigues e Fabiano Contarato.

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No pedido ao Supremo, o partido relembra as acusações do ex-ministro Sérgio Moro, que acusou Bolsonaro de tentar interferir na autonomia da PF para obter acesso a informações de investigações sigilosas. Na segunda a noite, o ministro Celso de Mello abriu inquérito no Supremo para apurar as denúncias do ex-juiz da Lava Jato contra o presidente.

“O desvio de finalidade é patente, posto que o Presidente da República ao usar sua competência de nomear para o cargo de Diretor-Geral da Polícia Federal o faz não com interesses republicanos, de boa condução da corporação ou eficiência, mas sim com interesses pessoais não republicanos: acessos indevidos a investigações em andamento e poder de influir em tais investigações”, afirma.

A Rede também destaca a proximidade de Ramagem com a família Bolsonaro, anexando nos autos a foto em que o ex-chefe da Abin foi clicado ao lado do filho do presidente, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos). A imagem, segundo o partido, mostra que ‘não restam dúvidas’ sobre a relação íntima do clã com o nomeado.

O novo chefe da PF, Alexandre Ramagem, cumprimenta o presidente Jair Bolsonaro. Foto: Adriano Machado / Reuters

“Instado a se manifestar por apoiadores em rede social sobre o potencial desvio de finalidade na nomeação, o Presidente da República reafirmou o objetivo de indicar um amigo para comandar a Polícia Federal: ‘E daí? Antes de conhecer meus filhos, eu conheci o Ramagem. Por isso deve ser vetado? Devo escolher alguém amigo de quem?'”, aponta a Rede, ao Supremo.

A sigla também relembra as trocas de mensagens entre Moro, Bolsonaro e a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP). Na conversa com a parlamentar, Moro diz que ‘não está à venda’ após Zambelli afirmar que, aceitando Ramagem na chefia da PF, ela trabalharia para obter com Bolsonaro a indicação do ex-juiz da Lava Jato para o Supremo Tribunal Federal.

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