Recrutamento às cegas ajuda na escolha de bons profissionais e garante diversidade para as organizações

Recrutamento às cegas ajuda na escolha de bons profissionais e garante diversidade para as organizações

Richard Vasconcelos*

18 de setembro de 2020 | 05h00

Richard Vasconcelos. Foto: Divulgação

Garantir uma boa contratação muitas vezes pode ser desafiador para o recrutador, a proposta é sempre garantir um bom profissional para atender os requisitos da determinada vaga. Mas seguindo a contramão que muitas organizações oferecem em processos seletivos, um método criado na Europa tem se popularizado ao redor do mundo e fazendo diferença no momento da seleção: a contratação às cegas.

Optar por esse modelo pode ser importante para construir uma organização com profissionais mais eficazes e engajados. Neste formato de seleção a diversidade étnica, cultural, de gênero, entre outros, são pontos que não beneficia nenhum candidato em detrimento do nome de sua universidade, títulos e experiências anteriores. A vantagem está apenas no atributos que são necessários para o desempenho da função em questão.

Para dar início ao processo, uma boa prática é oferecer um desafio a todos os candidatos que se inscreverem como, por exemplo, um curso de capacitação. Neste formato é possível entender quais candidatos querem realmente participar do processo, quais irão concluir todas as etapas e apontar os que mais se engajaram. Diante dessas métricas é possível selecionar com mais facilidade os perfis que mais se interessaram pela empresa e que estão dispostos a seguirem com o processo.

Após esse indicador, é o momento de análise curricular, o que resulta em uma vantagem para a empresa e para candidato, uma vez que esse processo se torna totalmente imparcial. Aqui será avaliado apenas o que interessa no currículo dos candidatos, pontos que mostram se o interessado se encaixa ou não no perfil da vaga, sem priorizar instituições de ensinos ou até mesmo local que o profissional resida. Dando importância apenas aos cursos extracurriculares e habilidades adquiridas durante a vida profissional de cada um.

Ao desconsiderar pontos irrelevantes, a diversidade é uma consequência, o que rompe os preconceitos. Uma organização que apresenta essa importância a sociedade é bem vista por um todo, uma vez que as pessoas estão cada vez mais críticas e exigentes com esse assunto e consideram consumir produtos/serviços de empresas que são socialmente responsáveis e que valorizam a diversidade.

Por fim a redução de custos, ao acertar numa contratação a organização, evita realizar novos processos, o que reflete na economia do tempo e do dinheiro. Muitas vezes o profissional já apresenta uma certa expertise no assunto o que reduz o tempo de treinamentos específicos e gera mais eficácia em todo o processo.

*Richard Vasconcelos CEO da LEO Learning Brasil, empresa de educação corporativa digital e mestre em Tecnologias Educacionais pela University of Oxford. Neto do fundador da universidade privada Estácio, atuou na implantação do ensino à distância na instituição até 2009. Fundador e investidor de outras startups de tecnologia educacional, foi CEO e sócio da rede de escolas de inglês Britannia, vendida para a Cultura Inglesa em 2018. 

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